Argentina oferece recompensas por seqüestradores que estariam no Rio de Janeiro

O Ministério do Interior da Argentina publicou nesta sexta-feira, na imprensa do Rio de Janeiro, anúncios oferecendo recompensas de US$ 70 mil por pistas que levem aos seqüestradores Rodolfo José Lohrmann e José Horacio Maidana, procurados pela polícia argentina há três anos. Eles são acusados de seqüestrar, em 2003, Christian Eduardo Schaerer na cidade de Corrientes, no norte da Argentina. A família pagou um resgate, mas o jovem não foi libertado até hoje. Policiais argentinos já estiveram no Brasil para checar suspeitas de que o Rio foi utilizado pelos bandidos para o cativeiro da vítima. Tanto a embaixada argentina em Brasília quanto o consulado no Rio de Janeiro disseram que não foram informados pelo governo argentino sobre os motivos da publicação dos anúncios. De acordo com um diplomata, a proximidade de Corrientes com o Brasil cria uma suspeita natural de que os foragidos tenham fugido para o País. O delegado da Polícia Federal Wanderley Martins, que está à frente da Interpol no Rio de Janeiro, confirmou que policiais argentinos estiveram no Brasil em busca dos dois criminosos em 2003, mas eles não foram encontrados. "Não recebemos outras solicitações de colaboração desde então e desconheço um motivo especial para os anúncios. Isso só atrapalha. Se eles estiverem no Brasil, a tendência é se afastarem do País. Nesse tipo de investigação o sigilo é muito importante", disse o delegado. Foi sem chamar muito a atenção que policiais argentinos tiveram o apoio dos policiais federais brasileiros da Interpol em 2003 para checar a suspeita de que o cativeiro de Schaerer ficava no Rio. Eles trouxeram ao Brasil um dos integrantes da quadrilha, na tentativa de localizar os dois fugitivos. De acordo com um dos policiais que trabalhou no caso, o prisioneiro disse que Maidana, conhecido na Argentina como Potrillo e apontado como líder da quadrilha, chegou a viver no Rio. Ele apontou um apartamento da Rua Djalma Ulrich, em Copacabana (zona sul), como seu esconderijo. O comparsa disse ainda que o seqüestrador argentino tinha se familiarizado com a cidade e, entusiasta do forró, freqüentava a Feira de São Cristóvão, reduto de nordestinos na zona norte da cidade. No entanto, nenhuma pista concreta dele ou do cúmplice foi encontrada e os agentes argentinos desistiram das buscas na cidade. Christian Eduardo Schaerer foi levado por quatro homens armados em um automóvel da porta de casa, em Corrientes, na noite do dia 21 de setembro de 2003. Os seqüestradores exigiram do pai da vítima, o paraguaio Juan Pedro Schaerer, o pagamento de um resgate. O pai, que vive em Assunção, no Paraguai, e a mãe, a argentina Gloria Pompeya Gómez de Schaerer, fizeram a entrega do dinheiro quase dois meses depois do rapto, seguindo as instruções dos seqüestradores, em Cidade do Leste, no Paraguai. Desde então, não houve mais contato e a vítima não foi libertada. Três pessoas ligadas à quadrilha foram presas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.