Armas apreendidas no Rio podem ter sido enviadas para testar fiscalização

Apreensão das pistolas, de uso das Forças Armadas, levantou suspeitas sobre uma possível nova rota de tráfico dos EUA para o Brasil

Liana Leite - Especial da Rádio Estadão/ESPN,

17 Agosto 2012 | 19h07

RIO DE JANEIRO - A alfândega da Receita Federal no Aeroporto Internacional do Rio apreendeu onze pistolas enviadas dos Estados Unidos pelos Correios. As armas não são utilizadas em território nacional, segundo afirmou o inspetor chefe da alfândega da Receita Federal no Tom Jobim, Claudio Ribeiro. As pistolas nove milímetros, de fabricação russa, possuem material e a tecnologia superiores às marcas conhecidas no Brasil.

A apreensão das pistolas, de uso exclusivo das Forças Armadas, levantou suspeitas sobre uma possível nova rota de tráfico de armas dos Estados Unidos para o Brasil via Correios do aeroporto do Galeão. O material foi retido segunda, terça e quarta-feira.

De acordo com o inspetor chefe, a remessa pode ter sido enviada para testar a fiscalização. "A gente não sabe se isso era um teste para que se houvesse algum problema de falha na fiscalização, o canal via Galeão-Correios pudesse se tornar uma rota de importação irregular dessas armas", explicou Claudio Ribeiro, lembrando que a maior parte das pessoas não sabe que todas as 5.500 mercadorias que chegam diariamente ao Rio, vindas do exterior, passam pelo scanner da Receita Federal.

O inspetor chefe revelou que no aparelho de raio-X materiais como plástico e vidro ficam verdes. Já o metal fica azul. Por este motivo foi fácil identificar que os objetos não eram brinquedos ou equipamentos esportivos como estava escrito nas caixas. O valor também estava alterado. Na descrição constava vinte dólares, quando na verdade cada arma vale 1.200 dólares.

Elas vieram em caixas destinadas a onze pessoas no Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina. E foram enviadas por dois remetentes de Illinois e do Texas, no EUA. Na capital fluminense, entre os destinatários há endereços nobres da Região Metropolitana.

O chefe da sessão de remessas postais internacionais da Receita Federal, Alexandre Cassar, acrescentou que os endereços são verdadeiros, mas os nomes dos remetentes e dos destinatários podem não ser: "Os endereços realmente existem. Até porque se não existissem não teria como os Correios fazerem a entrega das armas caso elas passassem por fora da Receita Federal". A investigação sobre a identidade dos envolvidos foi repassada ao setor de inteligência da Receita. Também já foi feito contato com a aduana norte-americana para descobrir a origem das armas.

Esta é a segunda vez que uma remessa desse tipo de pistolas é enviada ao Brasil. Ano passado, três exemplares chegaram ao Rio e também foram apreendidos. "É um calibre fortíssimo e por isso estão importando a arma. Talvez para comercializar no Brasil", acredita Alexandre Cassar.

Após a investigação, as pistolas serão incorporadas ao Exército para que possam ser utilizadas pelos militares.

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