Armas belgas estão entre preferidas pelos traficantes do RJ

A Bélgica aparece entre os três principais países fornecedores de armas a traficantes que ocupam favelas do Rio de Janeiro, depois dos Estados Unidos e da Espanha, como também figura na lista dos fornecedores de armas mais sofisticadas. A denúncia está na primeira página de hoje de um dos principais jornais do país, o Le Soir. O porta voz da empresa belga FN de Herstal, Robert Sauvage, disse à Agência Estado que a FN não pode revelar, respaldada na lei, nem os nomes dos países para onde exporta, nem a assiduidade com que faz as entregas aos cliente, mas disse que por lei, a FN não entrega as armas caso o país comprador não emita um certificado de utilização. "Os destinatários não podem revender as armas que compram na Bélgica, nem usá-las para outros fins anunciados", afirma Sauvage. Desde abril de 1999, em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Rio de Janeiro, uma ONG local, Viva Rio, faz um recenseamento das armas apreendidas pela polícia carioca. De acordo com o jornal belga, 224 mil armas apreendidas em condição irregular foram analisadas e destas, 13% são belgas. A descoberta fez com que a atual governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, membro do Partido dos Trabalhadores de Luiz Inácio Lula da Silva - o "provável vencedor das eleições no domingo", diz o Le Soir -, apresentou a lista ao serviço consular belga no Rio, solicitando que o governo belga trace o itinerário destas armas, que chegam ao Brasil ilegalmente, segundo a goverandora, cita o jornal. Entre as armas belgas encontradas nas favelas cariocas estão, principalmente, pistolas automáticas e revólveres, com período de fabricação entre os anos 50 e 80. Esses modelos foram substituídos por armas de modelos similares produzidos no Brasil pelas empresas Taurus e Amadeo Rossi. Outros modelos de armas automáticas, entretanto, de origem bem mais recente, também aparecem na lista, de acordo com o Le Soir, como pistolas automáticas 9mm, metralhadoras, fusis e pistolas metralhadoras. Essas armas, com fabricação entre 1992 e 2001, são as favoritas dos traficantes, segundo o jornal belga, porque lhes permitem o uso de muita munição ao mesmo tempo. Os pesquisadores da ONG brasileira revelam que 126 fusis FN 7.62 mm, fabricados pela empresa belga FN de Herstal, apresentavam números de série seguidos, significando, segundo a ONG Viva Rio, "um fluxo relativamente regular de armas proibidas, fornecidas aos traficantes do Rio de Janeiro pelos circuitos paralelos". A ONG, de acordo com o jornal, acredita que as armas foram vendidas pelo fabricante belga ao Paraguai de forma legal para depois serem revendidas aos traficantes de droga da região, essencialmente os brasileiros. O governo belga se pronunciou, hoje, dizendo que não tem conhecimento de armas belgas em poder do tráfico de drogas do Rio de Janeiro, apesar da notificação feita pela governadora Benedita da Silva, em julho, ao consulado no Brasil e "ressalta que as últimas licenças de exportação dadas ao Paraguai datam de 1993". Os partidos de esquerda do Parlamento belga estão encaminhando uma solicitação à empresa FN de Herstal, exigindo documentos que comprovem o caminho percorrido pelas armas.

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