Armazém histórico de 1924, Casa Godinho vai ficar no Sampaio Moreira

Entre os cerca de 40 inquilinos que ainda ocupavam o Sampaio Moreira quando a desapropriação teve início, um deles, alegando "fazer parte do patrimônio", decidiu se mobilizar. Foi Miguel Romano, atual proprietário da Casa Godinho, armazém à moda antiga, que fica no térreo do edifício desde sua inauguração, em 1924. "Se o prédio tem importância histórica, a Casa Godinho também. Ela sempre fez parte do Sampaio Moreira", defende Romano. "Daqui, não poderíamos sair." Em janeiro, na tentativa de salvar as históricas prateleiras de imbuia, o empresário anexou uma petição ao processo de despejo. Recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral do Município, que disse não ter "nenhuma intenção em encerrar as atividades" da Casa Godinho. Sabendo do parecer, a Secretaria da Cultura declarou que manteria o armazém no local, "pela sua importância histórica para a cidade". A decisão foi embasada em expediente jurídico chamado "cessão onerosa", que permite o pagamento por terceiros para utilização do espaço público. O valor a ser pago ainda não foi definido. Outros inquilinos, também "parte da história do edifício", manifestam preocupação. Caso do contador José Antônio Mandetta, de 81 anos, cuja família mantém escritório no edifício desde 1949. Sua vida é tão marcada pelo Sampaio Moreira que, segundo funcionários do prédio, Mandetta "também deveria ser tombado". E a reivindicação do contador é simples: quer ajuda para conseguir sala semelhante ali por perto. "Já procurei lugar parecido e é tudo o triplo do preço. Como vou exercer a profissão? É tempo demais aqui para ser despejado e pronto", disse Mandetta, que paga R$ 300 por condomínio e aluguel, pela sala do 7º andar. "Mas, por via das dúvidas, já comecei a encaixotar. Triste demais."

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