Arqueóloga comanda luta por infraestrutura

Responsável por provas da existência do homem nas Américas há 100 mil anos, Niède Guidon diz que é preciso fazer o aeroporto

João Domingos, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2011 | 00h00

SÃO RAIMUNDO NONATO

Responsável por virar as teorias de ocupação do continente americano de cabeça para baixo, a arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon promete não sossegar enquanto São Raimundo Nonato não tiver seu aeroporto. Niède é a cientista responsável pelas provas de que o homo sapiens já vivia nas Américas há 100 mil anos.

"Nesta região está o mais importante sítio arqueológico das Américas, com registro de pinturas rupestres sobre a atividade humana de 40 mil, 35 mil anos", disse Niède ao Estado. "É preciso ter um aeroporto que possa receber os cientistas e pesquisadores, além de turistas de todo o mundo." Hoje, o aeroporto homologado para a descida de grandes jatos mais próximo fica em Petrolina (PE). Depois, são até cinco horas por estradas.

A arqueóloga disse que uma empresa suíça contratada para fazer o levantamento do potencial turístico da região concluiu que com o aeroporto o movimento rumo a São Raimundo Nonato será intenso, porque os sítios arqueológicos lá existentes interessam ao mundo todo. "Nosso público aqui será A e AA e existe lugar até para um hotel seis estrelas".

Para fazer o trabalho de infraestrutura de visitação do Parque Nacional da Serra da Capivara, Niède foi a Washington convencer o então presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, a visitar São Raimundo Nonato. Conseguiu. Em seguida o BID liberou US$ 1,4 milhão para a Fundação Museu do Homem Americano fazer as obras de infraestrutura para visitação do parque. "É possível fazer com que tudo aqui fique autossustentável", afirmou Niède.

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