Arquiteta volta ao Rio após 40 anos na França

Depois de 40 anos na França, onde se notabilizou como arquiteta e urbanista, Elizabeth de Portzamparc volta às origens. O primeiro projeto no Rio foi a reforma de salões do Centro de Convenções do Riocentro, no Recreio dos Bandeirantes, concluída no ano passado. Num dos ambientes, criou jogo de luzes para camuflar as diferenças do pé direito altíssimo, e abriu janelas de vidro jateado em degradê, que garantem luminosidade e privacidade ao espaço. "É curioso que o meu primeiro projeto no Rio tenha sido obtido por concorrência. Isso me permitiu iniciar minha vida profissional em minha cidade natal, abrir escritório e criar minha equipe aqui", diz. Elizabeth tomou gosto. Ela e o marido, o arquiteto Christian de Portzamparc, compraram terreno na Rua São Sebastião, no bairro da Urca, um dos mais valorizados e bucólicos da cidade. Ali, ela projetou casa de 600 metros quadrados, com vista para a enseada de Botafogo, com o Cristo ao fundo, onde pretende passar temporadas com o marido e os filhos, dois rapazes de 25 e 22 anos. Ela também está tocando o projeto de um prédio de seis andares para a família Oliveira Castro, na Lagoa Rodrigo de Freitas: um edifício com lateral comprida, valorizada pelas formas desiguais dos perfis que dão sustentação às lajes. "A grande perda na arquitetura do Rio são as fachadas laterais. A maioria dos arquitetos trata com cuidado as fachadas frontais, mas as laterais são relegadas. Janelas não são bem desenhadas, não têm efeito de composição", afirma. Os apartamentos terão entre 300 e 450 metros quadrados. Elizabeth projetou ainda um sistema de ventilação embutido no forro, que permitirá a redução do uso do ar-condicionado. No teto, cobertura vegetal, que também funciona como isolante. À frente do edifício, que será ocupado por dois irmãos e dois primos, fica a antiga casa da família, um imóvel dos anos 20, tombado, que hoje fica escondido entre um prédio e a Fundação Eva Klabin. Em agosto de 2009, Ano da França no Brasil, Elizabeth será homenageada com exposição de seu trabalho no Paço Imperial e depois no Masp, com curadoria do diretor do Paço, Lauro Cavalcanti. "Meus trabalhos simbolizam um pouco dessa relação franco-brasileira, e a intenção é tentar mostrar o que eu levei pra França do Brasil e o que eu trouxe de lá", diz.

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 00h00

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