Arquiteto de SP lança livro sobre suas obras

Profissional prestigiado, Carlos Bratke selecionou criações premiadas para publicação

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

13 Agosto 2009 | 00h00

Com quatro décadas de carreira e cerca de 300 obras no currículo, o arquiteto paulistano Carlos Bratke está colecionando alvíssaras neste ano. Há menos de um mês, uma de suas obras, o Edifício Oswaldo Bratke - onde fica a sede de seu escritório, na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini -, foi selecionada pelo Conselho Curador do museu francês Georges Pompidou para compor seu acervo permanente. Outra criação de sua prancheta, o Edifício Brigadeiro 1, foi recentemente contemplada com o Grande Prêmio Especial da Editora Flex, desbancando 960 concorrentes. E hoje, às 19 horas, será lançado, na unidade Jardins da Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1.731; 3062-1063), o livro Carlos Bratke - Arquitetura (Editora J. J. Carol, 130 páginas, R$ 59), uma espécie de portfólio, com detalhes de oito projetos executados e um em fase de construção, no Estado de São Paulo. "Selecionei (para o livro, que é o quarto com suas criações) algumas obras que elejo como marcantes. São projetos que já foram premiados ou publicados", explica Bratke. "Não quis que parecesse um livro biográfico, então escolhi obras que, além de eu gostar, apontam um caminho. Do ponto de vista da composição, todas têm uma coerência no tratamento do espaço." No caso de Bratke, espaço não necessariamente construído. É constante em sua carreira a fascinação pelos vazios, pelas sobras. Predileção talvez originada da grande admiração que o arquiteto nutre pela modernista Lina Bo Bardi (1914-1992). "Veja o Masp (Museu de Arte de São Paulo, uma das criações de Lina): sua poética está no vão livre. Esse tipo de composição é uma questão artística."Filho do também arquiteto Oswaldo Bratke (1907-1997), o paulistano Carlos nasceu em 1942. Vinte e cinco anos depois, graduou-se em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. De lá para cá, dividiu-se entre criações de projetos, atividades docentes - lecionou no Mackenzie e na Belas Artes - e publicações. São de sua lavra cerca de 60 edifícios da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, a Igreja São Pedro e São Paulo - nas bordas do Parque Alfredo Volpi - e o Parque do Povo. Também assinou projetos de várias escolas públicas e particulares, centros culturais, indústrias, shopping centers, hotéis e residências. Sua consistente carreira rendeu convites para projetar no Uruguai, Israel, México e Estados Unidos. "Durante a construção, ficou minha placa lá na Quinta Avenida de Nova York", diz, com indisfarçável orgulho, quando se recorda da sede de uma joalheria de luxo que concebeu, em 1999. Mas não vira as costas para o início da carreira, no fim dos anos 60. "As primeiras obras são as mais importantes, porque são didáticas."É com bom humor que o arquiteto relembra as dificuldades da construção, nos anos 80, do Edifício Oswaldo Bratke, recentemente incorporado ao Georges Pompidou. "Eu planejei muitas lajes desencontradas, de modo que era difícil para o mestre de obras entender aquilo", conta. "Fiz uma maquete de madeira maciça, com 1,6 metro de altura, e deixei na obra para que ele consultasse sempre que tivesse alguma dúvida." Como agradável lembrança, a maquete ficava em seu escritório. Não mais. Agora está no museu francês.

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