Arquivado inquérito contra acusados do seqüestro de empresário

Acatando parecer do promotor público Marcelo Sigari Moriscot, a juíza criminal Beatriz Silva Almeida Prado Costa, do Fórum de Salto, determinou o arquivamento do inquérito que apurava a participação de Wanderley José da Silva e do doleiro Osman Hassan Issa no seqüestro do empresário Roberto Benito Júnior, de 37 anos. Com a decisão, voltam à estaca zero as investigações envolvendo o mais longo seqüestro da história policial de São Paulo. O empresário, um dos donos das lojas Cem, ficou 120 dias em poder dos seqüestradores. A família pagou US$ 1 milhão pela sua libertação, ocorrida no dia 30 de janeiro último. Wanderley e Issa foram presos no dia 20 de fevereiro pela polícia de Sorocaba, acusados de participação no crime. Em seu poder os policiais apreenderam notas de 100 dólares usadas no pagamento do resgate, cuja numeração tinha sido anotada. Eles tiveram a prisão temporária decretada pela justiça. Os dois suspeitos foram libertados na última segunda-feira, depois que o promotor Moriscot negou-se a atender pedido de prisão preventiva formulado pela polícia civil. Ele entendeu que as provas não eram suficientes para manter presos os acusados. O arquivamento do inquérito revoltou o delegado seccional de Sorocaba, Everardo Tanganelli Júnior, cuja equipe prendeu os suspeitos. Ele disse que o promotor poderia ter pedido investigações complementares, ao invés de simplesmente arquivar os autos. "Perdemos um trabalho de investigação de cinco meses." O delegado pretende enviar as peças à Procuradoria Geral de Justiça para que seja verificado se o tratamento dado ao caso pelo Ministério Público foi o mais adequado. A Procuradoria tem poder para manter o arquivamento ou mandar reabrir o processo, designando um novo promotor para acompanhá-lo. Moriscot disse que está tranqüilo, pois agiu com espírito de justiça. "Não há como acusar alguém de um crime tão grave sem uma boa base de provas."

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