Arquivo Nacional só abre dados de Vlado com ordem de ministro

Autor de livro sobre o jornalista assassinado pela ditadura precisou de ajuda direta de Eduardo Cardozo para a consulta

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Depois de enfrentar longas semanas de má-vontade - ou incompetência - de funcionários do Ministério da Justiça, e só graças à ajuda direta do ministro Eduardo Cardozo, o jornalista Audálio Dantas conseguiu, esta semana, autorização do Arquivo Nacional, no Rio, para consultar documentos sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

Não é a primeira vez que tais obstáculos ocorrem. Os problemas de acesso à memória guardada naquele Arquivo já provocaram, no final do ano passado, a demissão do historiador Carlos Fico. Durante a campanha eleitoral, a documentação sobre a então candidata Dilma Rousseff também foi mantida inacessível pela Justiça Militar.

Dantas, que viveu de perto os episódios ligados à morte de Vlado, nos porões da ditadura, está buscando informações para seu livro A Segunda Guerra de Vladimir Herzog, a ser lançado em breve. Sua aventura no Ministério incluiu viagens, muitos telefonemas, pedidos "absurdos e desrespeitosos" - entre os quais o atestado de óbito de Vlado e a certidão de seu casamento com Clarice Herzog, além de cartas pessoais a funcionários do ministério. "Imagine, eu apresentar aquele famoso atestado falso do médico Harry Shibata, segundo o qual Vlado tinha se suicidado!", comentou Dantas ao Estado.

O que funcionou, de fato, foram a denúncia do caso pelo site do Instituto Vladimir Herzog e pelo blog do jornalista Ricardo Kotscho, mais uma conversa direta com o ministro. "As autoridades continuam criando dificuldades", disse ele. "Fui atendido porque tive recursos de que um cidadão comum não dispõe."

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