Arrastão milionário nos Jardins

Bandido vestiu roupa do vigia, enquanto comparsas invadiam apartamentos; 1 homem foi preso

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

14 Outubro 2008 | 00h00

O porteiro de um prédio na Alameda Campinas caiu no conto do estagiário que aparece às 5h30 no serviço para começar a trabalhar. Esse foi o golpe usado por uma quadrilha para invadir um prédio na Alameda Campinas, nos Jardins, na zona sul de São Paulo, e fazer um arrastão, levando mais de R$ 1 milhão em jóias, computadores e roupas dos moradores. A ação dos bandidos começou por volta das 5h30, quando um rapaz jovem chegou com um bilhete na portaria do prédio. Ele disse ao porteiro que havia sido mandado pela empresa responsável pela faxina do prédio para fazer um estágio no edifício. Tinha no bilhete o nome de uma funcionária da empresa - que existe - e seus números de telefone corretos. O porteiro decidiu, então, permitir que o jovem entrasse no edifício. Assim que o portão se abriu, o bandido sacou uma pistola e dominou a portaria. O ladrão abriu o portão da garagem para seus comparsas, que chegaram em dois carros - eram seis homens armados com submetralhadoras e pistolas em um Siena e um Gol pretos. Em seguida, o assaltante mandou que o porteiro se despisse. O criminoso vestiu o uniforme de porteiro e ficou no lugar do funcionário do prédio para não despertar suspeitas enquanto o verdadeiro porteiro foi levado para o subsolo. Conforme os moradores saíam para trabalhar ou algum empregado doméstico chegava, os bandidos os dominavam e os obrigavam a levá-los até o apartamento. O edifício de 12 pavimentos tem um apartamento por andar. Cinco das unidades do prédio foram invadidas pelos assaltantes, que reuniram tudo o que puderam e colocaram no porta-malas dos carros. Os moradores e empregados domésticos foram levados para a sala de máquinas e trancados pelos ladrões. Eram 8h10 quando os criminosos deixaram o edifício. A saída dos dois carros estranhos e ao mesmo tempo do edifício despertou a suspeita de um taxista da região. O homem telefonou para a Polícia Militar, que conseguiu interceptar o Gol com parte do bando quase na esquina da Alameda Campinas com a Avenida Paulista. Para dificultar a perseguição, dois dos bandidos desceram do Gol e saíram correndo, cada um para uma direção. A tática deu certo, pois os dois homens que permaneceram no carro conseguiram fugir no Gol assim como um dos criminosos que escapou a pé pela Avenida Paulista. Mas o outro bandido, segundo a polícia, não teve sorte: acabou atropelado por um taxista na frente do prédio da Fundação Gazeta. Atordoado e desarmado, o suspeito foi detido pelos PMs. Segundo o delegado José Roberto Pedroso, titular do 78º Distrito Policial (Jardins), o suspeito usava documento falso. Seu nome verdadeiro é Anaílton Miranda do Amaral. O homem tem 24 anos e seria o ladrão que se apresentou como estagiário. Amaral já esteve preso anteriormente, mas fugiu da Penitenciária de Lavínia, onde cumpria pena de 13 anos por roubo e formação de quadrilha, as mesmas que o levaram novamente para a cadeia. Para o delegado, é quase certo que os ladrões contaram com informações de alguém que conhecia a rotina do lugar. Um fato que reforça essa suspeita é a constatação feita pela polícia de que o sistema de 15 câmeras de vigilância do prédio está quebrado desde quarta-feira da semana passada. Assim, não há imagens dos ladrões. "Só dois dos bandidos se preocuparam em esconder o rosto. Um usava uma touca ninja e o outro, uma máscara. Os demais não se preocuparam em esconder o rosto", afirmou o delegado.

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