Arremetidas no PR e no DF assustam os passageiros

Relato de um ''quase acidente'' no Acre foi lembrado; FAB afirma que não havia risco em nenhum dos casos

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

16 de setembro de 2008 | 00h00

Duas arremetidas de dois vôos da TAM, em Brasília e Curitiba, na manhã de ontem, deixaram os passageiros assustados, principalmente depois da notícia de que um avião da FAB e um da Gol quase colidiram, em 18 de junho, em Rio Branco, no Acre, conforme o Fantástico, da Rede Globo. A primeira arremetida ocorreu no Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, quando o piloto do vôo 3836, que saiu de Porto Alegre às 7h30, fazia o procedimento final para o pouso e preferiu abortá-lo, porque o avião não estava estabilizado. O segundo caso foi em Brasília, quando o vôo 3718 estava na fila para aterrissar, mas teve de voltar a ganhar altura porque outra aeronave, da Ocean Air, não havia desocupado a pista. Nos dois casos, e em Rio Branco, a FAB diz que não houve risco de acidente.Em Curitiba, o aeroporto operava por instrumentos, quando o 3836 ia pousar, por volta das 8h35. Segundo a Aeronáutica, a arremetida foi comunicada e realizada, por decisão do piloto. Já no 3718, que saiu de Congonhas, às 8h27 e pousou em Brasília às 10h14, passageiros relataram que houve mais um caso de ''risco de colisão'' porque, quando iam descer, outro avião estava ocupando a pista, obrigando o piloto a acelerar e desistir da aterrissagem.Para a Aeronáutica, o avião da Ocean Air, em vez de sair da pista principal de pouso na primeira interseção, liberando a área para a próxima aeronave, fez um percurso mais longo do que o normal. ''Mas não houve quase colisão'', insistiu a Aeronáutica, ao justificar que ''a torre comandou a arremetida, que é procedimento normal''. A TAM não quis se pronunciar.AMAZÔNIAEm relação à denúncia apresentada pelo Fantástico, o comandante da FAB, Juniti Saito, reconheceu que ''houve um erro do controlador, que não deveria acontecer, mas, infelizmente aconteceu''. Segundo o brigadeiro, ''foi aberto um relatório de perigo para verificar o que houve e evitar que o mesmo problema ocorra novamente''. Saito ressaltou que os equipamentos que o Aeroporto de Rio Branco tem são os necessários para aquele local, onde o tráfego aéreo é relativamente pequeno. O advogado da Federação dos Controladores do Tráfego Aéreo, Roberto Sobral, questionou o treinamento que está sendo dado para os novos militares que estão substituindo os antigos profissionais - ''que foram afastados por questões política''. Segundo Sobral, ''a situação é de risco'' porque os novos operadores são inexperientes e o tempo de treinamento foi ''insuficiente'', ''submetendo a população a riscos''. A FAB diz que os novos controladores estão habilitados. TENSÃO NO ARGravação no Fantástico mostra falha de controlador no AC.Piloto da FAB: O grifo 127 informa que livrou a 3 mil pés, descendo para 2 mil pés.Controlador: Ciente, grifo 127. Piloto da FAB: Grifo 127, na perna de aproximação.Controlador: Está livre o procedimento x-ray. Grifo 127.Piloto da FAB: Grifo 127, chamará.Um minuto e meio depois, controlador autoriza o Boeing a fazer o mesmo procedimento. Controlador: Informe iniciando a perna de aproximação.Piloto da Gol: Já está na perna de aproximação, descendo pra 3 mil (pés).Controlador: Já está autorizado, iniciar o procedimento X-Ray.Piloto da FAB: Os caras em cima de mim. Tomei o maior susto.Instrutor: O quê?Piloto da FAB: Ó, o cara ali.Instrutor: C...Instrutor: Rio Branco, Gol pode prosseguir na aproximação final. O que aconteceu foi que o Gol passou por cima (...), quase bateu (...) Pode prosseguir (...) Está ok, Rio Branco? Copiou?Controlador: Afirmativo (...)Instrutor: Gol, confirme. Você entendeu que poderia prosseguir no ILS?O piloto da Gol não responde se entendeu ou não se poderia continuar a aproximação por instrumentos e, na seqüência, aborta a aterrissagem.Piloto da FAB: C...Piloto da Gol: Gol 1938 está arremetendo.

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