Arruda e aliados monitoravam deputados, diz PF

Documento indica que ex-governador valia-se do organograma do DF para efetivar esquema

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O relatório da Polícia Federal, revelado ontem pelo Estado, afirma que o ex-governador José Roberto Arruda "valia-se de peças estrategicamente dispostas no organograma do GDF para dar efetividade ao esquema".

O núcleo duro dessa atuação estaria em torno de cinco nomes: Arruda, José Geraldo Maciel, Omézio Pontes, Domingos Lamoglia e Durval Barbosa, este último, o delator do esquema ao Ministério Público Federal.

A Polícia Federal apreendeu, por exemplo, relatórios feitos por Omézio, uma espécie de assessor de comunicação de Arruda. Num desses relatos, Omézio comenta a atuação que deputados distritais aliados estavam tendo em relação ao governador. Entre eles está Rogério Ulysses, expulso do PSB por suposta ligação com o esquema de corrupção no Distrito Federal.

O assessor de Arruda reclama do político. "Estamos rotineiramente frequentando o seu gabinete, articulando com seu pessoal, na figura de seu chefe de gabinete Cristiomar, eles desenvolveram um jornal, que em momento algum citou a figura política do governador Arruda, não obstante esta negligência, isto já está administrado", diz.

Omézio chega a citar uma suposta "contribuição". "Acreditamos que tão logo recebam a contribuição, nos será aberto com mais facilidade, o espaço para acompanhamento da agenda do deputado."

A Operação Caixa de Pandora, como ficou conhecida a revelação do escândalo, foi desencadeada em novembro do ano passado. Na época, foram divulgados vídeos em que Arruda e seus aliados recebiam dinheiro vivo das mãos de Durval Barbosa.

Pressionado, Arruda deixou o DEM e foi cassado pela Justiça Eleitoral por infidelidade partidária. O relatório final da Polícia Federal foi entregue à procuradora Raquel Dodge, do Ministério Público Federal. Caberá a ela fazer a denúncia à Justiça com relação aos acusados.

A expectativa é a de que a procuradora acolha as recomendações do delegado da PF Alfredo Junqueira, autor do relatório sobre a investigação. Ele aponta a prática de corrupção passiva, corrupção ativa e formação de quadrilha. Sugere ainda a apuração de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.

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