Arte dá força ao ativismo social

Cultura, arte e criatividade são as ferramentas políticas usadas por alguns coletivos e movimentos para mobilizar a população e lutar por avanços importantes. Seja na busca por regularizar moradias em São Paulo ou na tentativa de coibir a violência policial no Rio. “É arte com ativismo social”, diz a artista plástica Ana Carolina Beraldo, de 29 anos.

Guilherme Sobota, Ronald Lincoln Jr. e Vivian Codogno,

13 Dezembro 2013 | 18h05

Ela foi uma das precursoras da iniciativa que tomou o Rio durante as manifestações, projetando imagens e frases de impacto em edifícios. Entre as mensagens, pedidos pelo fim da violência policial e contra as remoções necessárias para as obras da Copa e dos Jogos Olímpicos de 2016. “Fazer isso por meio da arte é combater sem o uso da violência.”

Integrante do projeto Comboio, que atua em São Paulo, Caio Castor, de 29, tem entre suas principais bandeiras a regularização de moradias ocupadas. Uma de suas intervenções foi na casa Sérgio Buarque de Hollanda, na região do Pacaembu. Com livros debaixo do braço, nu, entrou no imóvel em 31 de dezembro de 2011, com o intuito de dar visibilidade ao abandono da casa. “Fizemos a ocupação performática simbólica.”

O foco recente da atuação do Comboio é a Favela do Moinho, no centro, que passou por três incêndios. Ativistas e moradores lutam juntos por saneamento e energia. O ponto de encontro é a Casa Pública, sede tanto para reuniões quanto para saraus e outros eventos culturais. “O urbanismo deve ser feito com a convergência entre atores e macroatores”, diz Castor. “Esse pensamento tem a ver com a questão política, todos querem mais participação.”

Segundo a antropóloga da PUC-SP Rita de Cássia Alves Oliveira, há uma tendência que relaciona o coletivismo com o melhor aproveitamento do espaço público. “Por meio da arte, a ocupação ganha outro sentido. A ideia não é apenas passar pela cidade, mas consumi-la.”

Promover tais mudanças em São Paulo também motiva o coletivo Arrua. “Nossa ideia é romper as fronteiras que delimitam centro e periferias”, diz o integrante Bruno Scatena, de 29.

Após as manifestações, a pauta do grupo foi ampliada para o combate à violência policial. Uma das armas foi o vídeo Por que o senhor atirou em mim?, um protesto contra o assassinato de Douglas Rodrigues, de 17 anos, por um policial militar, na Vila Medeiros, na zona norte. Essa foi, segundo a mãe dele, a última frase do jovem.

O coletivo definiu como próximos passos de atuação promover aulas públicas sobre o Projeto de Lei nº 4471, que prevê a investigação de autos de resistência seguida de morte.

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