Articulações também refletem em São Paulo

Cenário

Julia Duailibi e Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

A preocupação do PSDB e do PT de ampliar os tempos de TV de José Serra e Dilma Rousseff tem respingado em articulações no Estado. A direção nacional do PT atua nos bastidores para desidratar a candidatura do tucano Geraldo Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes, retirando dele o maior tempo de TV e garantindo palanque alternativo para a petista no maior colégio eleitoral do País.

Para isso, petistas insuflam o lançamento do deputado Celso Russomanno como candidato do PP ao governo de São Paulo. A candidatura serviria a dois propósitos: tirar dos tucanos os votos do eleitorado mais conservador e desarticular uma provável aliança do PSDB com o PTB no Estado. PP e PTB compõem a base aliada tanto no governo Lula quanto na gestão tucana em São Paulo.

A avaliação de coordenadores de campanha de Dilma é que Russomanno terá forte discurso de oposição a Serra, sobretudo em relação à segurança pública, o que, esperam, pode puxar parte do eleitorado para ela.

Russomanno acena com uma vaga ao Senado a Romeu Tuma, que pretende disputar a reeleição, mas não encontra espaço na chapa tucana. O PSDB deve lançar Aloysio Nunes Ferreira em dobradinha com Orestes Quércia (PMDB). Tuma participou, no dia 16 de março, de jantar da base governista do PTB com Dilma, em Brasília. A foto causou desconforto aos petebistas alinhados com Serra.

Sem conseguir emplacar Tuma, o PTB poderia cair nos braços do PP. Mas essa solução, que agrada ao PT, ainda parece improvável. O mais plausível é que Tuma seja rifado ou lançado de forma independente, retirando o PTB da aliança formal com os tucanos. Não é a primeira vez que os petistas tentam minar os adversários no Estado. No ano passado, articularam para que Francisco Rossi se lançasse candidato ao governo, prejudicando a aliança do PSDB com o PMDB. O objetivo era reduzir o poder político de Quércia.

Enquanto o PP espera gestos de tucanos e petistas na esfera nacional, a sigla também dá tempo ao tempo no Estado. Russomanno não tem pretensões de oficializar uma pré-candidatura antes da data da convenção partidária, marcada para o dia 12 de junho, mas é enfático: "Não tem volta. Não pretendemos abrir mão da candidatura de jeito nenhum".

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