Celso Junior/AE-28/2/2011
Celso Junior/AE-28/2/2011

Artigo de FHC deixa oposição inquieta

Ex-presidente propõe gastar menos energia com ''povão'' e priorizar nova classe média

Denise Madueño e Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2011 | 00h00

O Congresso se dividiu na avaliação do artigo escrito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a revista Interesse Nacional, divulgado ontem na internet. Sob o título O Papel da Oposição, o texto critica "as falsidades ideológicas" do PT, assim como a estratégia tucana. Afirma, ainda, que "enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os "movimentos sociais" ou o "povão", isto é, as massas carentes ou pouco informadas, falarão sozinhos". E sugere que a oposição se volte para "as novas classes possuidoras", ativas nas redes sociais como Facebook, YouTube e Twitter",

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) alertou para o "risco" de erro na leitura incompleta do artigo. Diz que leu ele inteiro e que, em vez de propor o afastamento dos eleitores mais pobres, como sugere a avaliação parcial do texto, Fernando Henrique chama a atenção para a apropriação do que ele chama de "lulopetismo" em relação às teses que o PSDB defendia.

"É a análise do sociólogo. É um risco pinçar uma ou outra afirmação fora do contexto geral", afirmou. Para Aécio, a sugestão de os tucanos se aproximarem, via redes sociais, de setores da classe média "é um processo absolutamente necessário".

Já o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), entendeu que o ex-presidente se referiu aos movimentos sociais "cooptados de forma promíscua pelo governo petista". "A população das camadas mais pobres não participa de forma absoluta dos movimentos sociais. Então, há espaço nas camadas mais pobres que, aliás, elegeram Fernando Henrique duas vezes".

Para o líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), Fernando Henrique teria se equivocado ao defender o afastamento das camadas mais pobres da população. "Isso é algo terrível, é uma espécie de renúncia à chegada à Presidência", disse. Em favor de sua tese, o senador lembra a sua convivência, em seu Estado, com diversas pessoas de movimentos sociais que pertencem ao DEM e ao PSDB e não ao PT.

Crítica. Na Câmara, o artigo causou mal-estar nos partidos de oposição e surpresa nos aliados de Dilma Rousseff. O DEM e o PPS discordaram radicalmente da avaliação do ex-presidente de que a oposição deve desistir de buscar o "povão" e conquistar as novas classes médias.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), afirmou que trechos do artigo foram divulgados distorcendo a análise feita pelo ex-presidente. O líder do PSDB defendeu FHC. "O artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um excelente roteiro do papel das oposições. É propositivo. Aqueles que o estão criticando por conta de uma frase pinçada, ou não leram o artigo ou o fizeram por má-fé", afirmou Nogueira.

O artigo surpreendeu o PT. "É um artigo desfocado, estranho. Se não dialogar com o povo, vai dialogar com quem? Parece que o ex-presidente considera que não está mais nesse mundo e se sente liberado para dizer isso", afirmou o senador Walter Pinheiro (PT-BA).

O líder petista na Câmara, Paulo Teixeira (SP), considerou que FHC dá por certo que o PT já ganhou os pobres. "Ele entregou os pontos no debate com os pobres e começou a se preocupar com a reconquista da classe média pelo PT", afirmou Teixeira.

Novos rumos

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

EX-PRESIDENTE

"O governo Dilma que, com estilo contrastante com o do antecessor, pode envolver parte das classes médias"

REAÇÕES

Aécio Neves

Senador do PSDB-MG

"É a análise do sociólogo, é um risco pinçar uma ou outra afirmação fora do contexto geral"

Álvaro Dias

Líder do PSDB no Senado

"A população das camadas mais pobres não participa de forma absoluta dos movimentos sociais. Então, há espaço nas camadas mais pobres que, aliás, elegeram Fernando Henrique duas vezes"

Demóstenes Torres

Líder do DEM no Senado

"Isso é algo terrível, é uma espécie de renúncia à chegada à Presidência"

Duarte Nogueira

Líder do PSDB na Câmara

"O artigo é um excelente roteiro do papel das oposições. É propositivo. Aqueles que estão criticando por conta de uma frase pinçada, ou não leram o artigo ou o fizeram por má-fé"

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