Artilheiro Romário mostra timidez na caça ao voto

A menos de 2 meses das eleições, o ex-jogador que era conhecido por não gostar de treinar [br]ainda tenta se acostumar à rotina de candidato

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2010 | 00h00

Aos fãs que se aglomeravam e causavam alvoroço em um shopping da zona norte do Rio, o ex-jogador Romário de Souza Faria falava pouco, não fazia promessas e evitava pedir votos. Terceiro maior artilheiro da seleção brasileira, com 71 gols marcados, atrás somente de Pelé e Ronaldo, ele se mostra tímido nos eventos de sua campanha para deputado federal e ainda aparenta desconforto em sua nova função, como se jogasse improvisado em um time que mal acabou de chegar. Mas o Baixinho garante que quer ser tratado como mero "puxador de votos" ou candidato-celebridade.

"Eu não quero ser como os outros políticos, que ficam pedindo voto pra todo mundo em todos os lugares. Eu tenho propostas e só peço votos pra quem realmente acredita no que eu tenho a dizer", explica o ex-atacante, de 44 anos, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSB com uma plataforma baseada na criação de projetos sociais para crianças carentes e no apoio a portadores de deficiências.

A menos de dois meses das eleições, o atleta que era conhecido por não gostar de treinar tenta se acostumar à rotina de candidato. Em uma viagem entre o centro da cidade e a zona norte em um vagão lotado do metrô carioca, Romário olhava para o chão, apoiava a cabeça nos braços e quase não falava - sem a desenvoltura que o tornou famoso dentro e fora de campo.

Na quinta-feira, no shopping da zona norte, sorriu ao aceitar centenas de pedidos de fotos, autógrafos, beijos e abraços de fãs, mas evitou o discurso político e se limitou a entregar alguns cartões com o número da candidatura e seu slogan: "Ele é o cara!"

"No começo, fiquei com muito receio de não entenderem essa minha transição de ídolo para político", admite o jogador, referindo-se à reação dos eleitores. "Depois que a campanha começou, vi que mais de 90% das pessoas que vêm falar comigo em todos os lugares aprovam esse trabalho que eu quero fazer."

"Puxador". Apesar da resistência, Romário é considerado um dos nomes fortes do PSB do Rio na tentativa do partido de eleger até quatro deputados federais no dia 3 de outubro. Com mais tempo na propaganda eleitoral da TV que seus companheiros de legenda, o ex-jogador aceitou a função de "puxador de votos" - papel comumente atribuído a artistas, atletas e famosos em geral. Mas ele exige que sua imagem não seja o único conteúdo da campanha.

"Muita gente pensava que bastaria apresentar o Romário fazendo embaixadinhas, cobrando pênaltis e fazendo o "V" da vitória, mas não queremos despolitizar o processo", afirma o sociólogo Marcio Saraiva, um dos coordenadores da campanha. "Romário tem horror a essas candidaturas caricatas, de personagens folclóricos. Ele não se compara a isso e não quer ser confundido."

Pai de Ivy, de 5 anos, que tem síndrome de Down, Romário adotou como proposta de campanha o investimento em educação e saúde para crianças com deficiência, além da criação de projetos sociais baseados no esporte.

"Eu vou ser o mesmo Romário do futebol, que fez um montão de coisas pelo Brasil com a minha profissão", diz o candidato. "Já me envolvi em projetos sociais por conta própria, mas agora eu quero ter a chave da porta."

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