Artista perambula nu pela Bienal de Arte

Até o dia 16, Maurício Ianês viverá de doações de visitantes e não poderá deixar pavilhão

Camila Molina e Maria Hirszman, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

Pelado, o artista Maurício Ianês iniciou ontem, pela manhã, sua performance, A Bondade de Estranhos, como parte da 28ª Bienal de São Paulo. Até o dia 16 deste mês, ele ficará no pavilhão, sobrevivendo apenas de doações dos visitantes e sem dizer uma palavra. Ontem, logo que foi aberta a visitação, às 10 horas, Ianês começou a vagar sem roupa pelo prédio, chegando ao terceiro piso do edifício, onde está a parte expositiva desta Bienal, que ficará em cartaz até 6 de dezembro. A primeira doação recebida foi uma garrafa d?água e, logo após, uma camiseta. Pouco depois das 14 horas, o artista ainda se apresentava nu da cintura para baixo, causando espanto entre os poucos visitantes no local, a ponto de os guardas responsáveis pelo setor perguntarem: "Ninguém pode dar uma cueca para ele?" Também não faltaram piadas maliciosas em relação àqueles que observavam mais atenciosamente a cena. O incômodo foi potencializado pelo fato de Ianês ficar absolutamente imóvel, de pé, sem comunicação nenhuma com o público, contrariamente ao título geral desta edição: Em Vivo Contato. O único movimento do artista era se sentar, esporadicamente, ao lado dos poucos pertences recebidos. Até o fim da tarde, ele já havia ganho comida, mais duas camisetas, uma manta e uma cueca.Ianês não vai sair do edifício por 13 dias - nem na segunda-feira, quando a Bienal estará fechada. No prédio, o artista vai dormir e se banhar em um vestiário. Como não é permitido entrar com bolsas e pertences depois do piso térreo, as pessoas que quiserem alimentar o artista terão de se identificar na portaria, onde receberão uma senha para poder levar comidas e bebidas.No primeiro dia, Ianês apenas permaneceu no terceiro piso do prédio, mas ao longo desse período deve mudar de local. Ontem, a Bienal estava bastante vazia durante a tarde e as pessoas ainda não tinham ouvido falar da performance e, por isso, não reconheciam o que estava acontecendo. É provável que ao longo dos dias as doações se ampliem. Além do tobogã de Carsten Höller, outro ponto de movimentação foi a gravação de um programa de televisão no segundo piso, que, propositalmente, fica vazio, sem obras.

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