Amanda Perobelli
Amanda Perobelli

Artista plástica vira madrinha de 30 bebês com microcefalia

Minidi se mobilizou após ler reportagem do 'Estado' que mostrava projeto; com aumentos de gastos, ONG busca mais colaboradores

Fabiana Cambricoli, O Estado e São Paulo

23 Outubro 2016 | 07h46

Assim que apareceram as primeiras notícias de um possível surto de microcefalia em bebês no Nordeste, em novembro de 2015, a agonia tomou conta da artista plástica Minidi Pedroso, de 67 anos. Moradora de São Paulo e visitante frequente do Recife, uma das cidades com mais casos da má-formação, ela ficou angustiada ao pensar se todas aquelas crianças teriam acesso a um tratamento capaz de melhorar seu grau de desenvolvimento.

“Meu marido tem uma empresa em Pernambuco e parte do tempo eu moro lá. Vi que era a área mais afetada pela microcefalia e queria fazer alguma coisa para ajudar, mas não sabia como”, conta.

Em junho deste ano, Minidi soube, ao ler uma reportagem do Estado, de um projeto da ONG Visão Mundial que buscava padrinhos para ajudar a custear o tratamento de crianças com microcefalia nascidas no Recife. Para ajudar uma das 30 crianças incluídas na iniciativa, o padrinho deveria colaborar com R$ 50 mensais, usados para pagar terapias, alimentação e transporte oferecidos no Centro de Reabilitação e Valorização da Criança (Cervac), parceira da Visão Mundial no projeto.

Ao saber da proposta, a agonia pegou Minidi de novo: será que os 30 bebês teriam pessoas interessadas em ajudar? Todos ganhariam padrinhos? Ela decidiu, então, resolver a angústia com uma decisão individual: seria a madrinha das 30 crianças.

“A situação é dramática, e o País está numa situação econômica difícil. Se eu tenho condições neste momento, preciso ajudar”, conta. A artista plástica entrou em contato com a ONG para conhecer melhor o projeto e passou a colaborar com R$ 1,5 mil mensais. “Recebi relatório do trabalho e foto e carta de todas as famílias, mas quero conhecer o projeto pessoalmente na próxima vez que for para lá”, diz ela, que também coordena um projeto de arte-educação na periferia de São Paulo.

Evolução. Nascida no Recife em setembro de 2015, Laura Beatriz é uma das crianças atendidas no Cervac com a ajuda do programa de apadrinhamento. A mãe, a agente de saúde Luana Maria Vieira de Melo, de 24 anos, pensou em parar de pagar a escola para a filha mais velha para custear o tratamento fisioterápico para a bebê. “Achei que não ia conseguir de graça porque era muita gente procurando”, conta.

O tratamento com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional oferecido no Cervac tem ajudado Laura a conquistar avanços. “Ela já come comida pastosa, balbucia algumas sílabas, tem ficado com o corpo menos rígido, mexe melhor os braços e pernas. É uma grande coisa para nós porque, quando ela nasceu, diziam que não ia conseguir fazer nada”, diz a mãe.

Embora Minidi tenha decidido apadrinhar todas as crianças atendidas no Cervac, a ONG Visão Mundial ainda está em busca de colaboradores. Isso porque, depois de iniciado o projeto, a entidade verificou que o valor gasto por criança com microcefalia chegava a R$ 450 mensais. Por isso, criou uma plataforma online batizada de Juntos Pelas Crianças (juntospelascrianças.com.br), na qual várias pessoas podem contribuir com quantias a partir de R$ 30 para dividir o apadrinhamento da mesma criança. “Por meio dessa plataforma, vamos ampliar a parceria com mais organizações”, explica Carlos Diego Cavalcanti, diretor de sustentabilidade da Visão Mundial.

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