Árvores causam 300 cortes de luz/dia

Prefeitura demora, em média, 3 meses para executar uma poda, mas há casos de solicitações feitas há 2 anos

Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

09 Fevereiro 2009 | 00h00

A chuva de anteontem deixou os moradores do City América, na zona oeste da capital, por mais de 24 horas sem luz. Motivo: a queda de árvores nas proximidades da Rua Cardeal Mota. E o número de quedas de árvores aumentou seis vezes nos últimos quatro anos em São Paulo, considerando apenas os meses de janeiro: os casos registrados pela Prefeitura pularam de 7, em janeiro de 2006, para 50, no mês passado. O crescimento se deve à combinação de chuvas e ventos fortes com falta de manutenção. O resultado prático para a capital são 300 cortes de luz por dia neste verão. Segundo a empresa Climatempo, a média histórica de chuvas para janeiro é de 253,9 milímetros - em 2009, chegou-se a 352,6 mm. "Além disso, rajadas fortes de vento são típicas das tempestades de verão e foram muito frequentes no último mês", afirma o meteorologista Marcelo Pinheiro. Os ventos podem atingir 80km/h. Além das forças da natureza, a falta de manutenção tem contribuído para a queda de árvores durante o verão. A Subprefeitura da Lapa é uma das que mais sofre com o problema. Apesar de ter aumentado o número de podas, a Prefeitura está deixando de atender cada vez mais pedidos. A demora média é de três meses e, em alguns casos, chega a dois anos. O principal motivo da lentidão municipal é a falta de engenheiros agrônomos, os únicos que podem autorizar esse tipo de serviço. Hoje há 33 profissionais nas subprefeituras, um terço do necessário. Foi realizado um concurso há 11 meses para contratar 64 engenheiros, mas até agora eles não foram chamados. O resultado é que os órgãos recebem 2 mil pedidos de poda por ano, em média, para cada agrônomo em atividade. O número de solicitações feitas ao SAC caiu, mas o de podas executadas diminuiu ainda mais. A diferença entre pedidas e atendidas aumentou de 3 mil, em 2006, para 6 mil, em 2007, e 17 mil, em 2008. A Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos Municipais de São Paulo (Seam) afirma que a Prefeitura perdeu engenheiros nos últimos anos porque paga salários baixos. Segundo o presidente, João D?Amaro, mesmo que chamem os concursados nem todos devem assumir o cargo. O salário inicial oferecido no concurso é de R$ 1,8 mil, enquanto o mínimo de mercado da categoria é de R$ 3,9 mil. Além da demora para fazer a manutenção das árvores, especialistas como o biólogo e professor da USP Gregorio Ceccantini criticam a forma como esse trabalho é realizado. Segundo ele, na maior parte das vezes ocorre fora de hora, com equipamentos inadequados ou sem respeitar as características da árvore. "Poda é feita com tesoura e serrote. Se usou a motosserra é porque algo está errado", diz. O biólogo afirma que a maneira correta é cortar os galhos ainda pequenos, direcionando o crescimento da planta. Há problemas sobretudo em cortes da Eletropaulo. "Se tirar apenas os galhos que estão na direção da rede elétrica, a árvore tende a cair para o outro lado", afirma o biólogo. OUTRO LADO A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras afirma que o número de podas feitas por conta própria aumentou de 22 mil para 88 mil nos últimos três anos. E as quedas de árvores caíram no geral. Foram 173 quedas em todo o ano de 2008, ante 261 em 2006. Com relação à demora, a pasta diz que a atual gestão encontrou quantidade muito grande de solicitações e vem ampliando as equipes. A respeito da poda incorreta, disse que, assim que a demanda acumulada for resolvida, a poda passará a ser periódica e rápida. NÚMEROS 352,6 milímetros foi a precipitação em janeiro. A média histórica é de 253,9 mm 17 mil pedidos de poda ficaram em aberto no ano passado. O número de solicitações feitas ao SAC caiu, mas o de podas executadas diminuiu ainda mais: a diferença entre pedidas e atendidas era de 3 mil em 2006 e de 6 mil em 2007

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