Árvores paulistanas se destacam no começo da primavera

A primavera começa oficialmente amanhã, à 1h54. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia é que a primavera traga temperaturas altas e temporais, trovoadas e ventos fortes esparsos para a Região Sudeste do País. Na cidade, será saudada com atrações nos parques municipais e campanhas pró-verde. De acordo com o engenheiro florestal Luiz Rodolfo Keller, diretor da Escola Municipal de Jardinagem e do Herbário Municipal, a primavera também é época para os paulistanos prestarem mais atenção às flores amarelas das sibipirunas e tipuanas e às flores roxas e cor-de-rosa dos jacarandás-mimosos e paus-formigas. Consideradas as árvores típicas da estação, elas podem ser encontradas em parques municipais, praças e escolas públicas, áreas verdes e várias ruas da capital. Ainda é possível achar alguns exemplares floridos de ipês amarelos, brancos, roxos e rosas, que marcam a transição do inverno para a primavera, e se encantar com os lírios amarelos, abundantes nesta época. "A maior quantidade de plantas floresce na primavera e as pessoas podem observar muitas simplesmente olhando para cima ou para os lados e reparando em detalhes que às vezes, com a correria, não conseguem ver", afirma Adeliana Saes Coelho, do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA). A bióloga Ana Maria Birischi explica que o aumento da quantidade de flores ocorre porque as plantas saem da dormência de inverno. "A partir do equinócio de primavera, os dias vão ficando mais longos, o que significa mais luz", acrescenta. Invernos "malucos", como o deste ano, com dias mais quentes do que o normal, costumam, segundo ela, alterar o comportamento das plantas, mas não é possível prever se haverá mudanças nesta primavera. Paixão - Para os amantes do verde, a nova estação ainda é a época do ano predileta para se pensar em uma São Paulo mais arborizada. "Gostaria de pedir à população que continue plantando árvores porque isso é bom para nós, nossos filhos e nossos netos", diz José Adão Soares, de 70 anos, um dos jardineiros com mais tempo de atividade em São Paulo. Funcionário público aposentado, ele passou três décadas e meia cuidando das plantas da cidade. "Todo o verde que tem na capital praticamente já passou pelas minhas mãos", diz, orgulhoso. Fã do Parque do Ibirapuera, ele reclama que nem sempre as árvores paulistanas são acompanhadas e podadas como se deveria, apesar de terem muito mais utilidade do que simplesmente embelezar as ruas. "Purificam o ar e protegem as águas. E quem não planta agora tem de construir hospital depois." Para Adeliana, as árvores ainda são importantes para diminuir as ilhas de calor e é preciso conscientizar a população sobre a importância da arborização. " Surpreende a forma como a cidade vai perdendo a vegetação e como quase ninguém se preocupa", diz. "Às vezes, são coisas simples. A pessoa não gosta das folhas secas que caem no quintal e simplesmente corta a árvore." Técnicos recomendam que os paulistanos se informem, antes de fazer o plantio, sobre as espécies mais resistentes e adaptadas às condições climáticas da capital. A azaléia, por exemplo, costuma ser uma boa opção, pela resistência. Já a ficus sp, cujas raízes chegam a 100 metros de comprimento, podem facilmente estourar calçadas. Quem está com problemas também pode procurar o pronto-socorro das plantas, que funciona dentro da Escola de Jardinagem. Para receber orientações e tirar dúvidas, basta levar as espécies até o Parque do Ibirapuera ou telefonar para 5574-0884 ou 5574-0705.

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