As casas esparsas que deram lugar a bairros

Vistos do alto, o Jardim Peri Alto e o Parque Serra da Cantareira estão separados apenas por um curso d?água. E nas duas margens do Córrego do Bispo há barracos de madeira ou alvenaria. De um lado e de outro, as construções estão irregulares. O poder público e os moradores sabem disso. É a cidade devorando a mata.A zona norte de São Paulo avançou tangenciando a Cantareira. Loteamentos irregulares foram se expandindo e ganhando a consistência de bairros. Os Jardins Peri Alto, Antártica e Santa Cruz servem de exemplo. Começaram com barracos como o de Renilda de Almeida Silva, que contava nos dedos os quatro vizinhos que tinha 20 anos atrás. Eram casas esparsas, no meio da imensidão da mata atlântica. Mas em questão de meses já havia cem famílias, que foram trazendo as mudanças com a notícia de um lugar bom, barato e bonito.Hoje, são 2.500 famílias nesses três bairros, 900 delas ameaçadas de despejo. Decreto de 2007, o 48.585, transforma uma área de 1,2 milhão de metros quadrados em utilidade pública. A Prefeitura pretende construir um parque linear. Será plantado um viveiro na faixa de 15 metros de cada uma das margens do Córrego do Bispo. O objetivo é frear a expansão da cidade e criar uma barreira de proteção da Serra da Cantareira."Poderiam preservar a mata, mas pensar também no povo, que não tem lugar para ir. Onde vou com R$ 5 mil?", questiona Renilda, de 52 anos. Pelo barraco ao lado do córrego, ela pagou R$ 4.500. Seu filho ganha R$ 400 e ela outros R$ 100 para tomar conta de um bebê de vizinhos. Aldinéia de Almeida é presidente da Associação Ação Comunitária do Jardim Antártica. "A única coisa que fizeram foi prometer 200 apartamentos para esse povo morar, mas isso é mentira."

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