''''As coisas inúteis voltaram'''', diz tia de vítima

Os relatos dos parentes das vítimas do vôo 1907 são sempre permeados pela preocupação com o estranho sumiço de documentos pessoais. Salma Assad, tia de Átila Assad Rezende, morto no desastre aéreo aos 25 anos, recebeu a carteira do sobrinho em perfeito estado, contendo ''''duas moedinhas'''', a carteira do restaurante universitário e uma carteirinha do Flamengo. ''''As coisas inúteis foram devolvidas, mas os documentos úteis e importantes sumiram todos.''''Em meio à dor que a atormenta desde a morte da filha Rosane, de 27 anos, e do pequeno Pedro, seu único neto, de apenas 3 anos, a empresária Janice Campos Magalhães ficou surpresa quando recebeu em casa, em Goiânia, o celular da filha funcionando perfeitamente. Cinco dias mais tarde, chegava outra caixa. ''''Encontraram a bolsa dela toda mofada, mas inteirinha, com R$ 200, além dos cartões bancários e talões de cheque'''', relata.O que a intriga é que a identidade de Rosane, o CPF e a certidão de nascimento do neto, sem o qual os dois não teriam embarcado no vôo Manaus-Brasília, estavam dentro da mesma bolsa, mas não lhe foram entregues até hoje. Janice recebeu até a mochila do neto com a fantasia de um dos heróis do Power Rangers lá dentro.Uma irmã de Janice que mora em Brasília encarregou-se de receber o anel, uma corrente de ouro com pingente e até um minúsculo brinco usado no segundo furo da orelha da sobrinha. As jóias estavam no corpo de Rosane e foram recolhidas no Instituto Médico Legal (IML) de Brasília.O que a tia e a mãe estranharam é que ficou faltando o par de brincos de ouro, pesados e valiosos, que acompanhavam a peça pequena do segundo furo da orelha. Segundo os legistas, Rosane chegou sem eles ao IML.Além da perda de peças de valor sentimental, Janice ficou sem uma lote de jóias (que revendia em Manaus). A filha que ela aguardava em Goiânia levava para a mãe uma maleta repleta de jóias de alto valor, em ouro e pedras preciosas. ''''Nem sei dizer quantas peças havia dentro da maleta que estava dentro da mala de roupas dela.''''CORRENTEA presidente da Associação dos Familiares e Amigos do Vôo 1907, Angelita de Marchi, perdeu o marido, Plínio de Marchi, e ganhou uma pergunta sem resposta até hoje. Plínio foi o nono passageiro a ser identificado e seu corpo estava bem preservado, mas sem a corrente de ouro que não tirava do pescoço desde os 16 anos. ''''Foi o presente de aniversário que ele ganhou da mãe, e eu queria muito devolver essa lembrança do filho'''', lamenta Angelita.Ao examinar as fotos dos pertences reunidos pela Gol e exibidos no site do Ministério Público do Distrito Federal, em busca de algum objeto de seu pai, Valdomiro Henrique Machado, morto aos 61 anos, Adriano Machado deparou-se com uma imagem curiosa. ''''Havia uma foto com umas dez caixas de relógios em bom estado de conservação, mas todas abertas e vazias'''', lembra.Àquela altura sua mãe, Neusa, já havia recebido a carteira do marido, que estava intacta. Dentro, um cartão magnético de supermercado, o cartão de milhagem Smiles, da Varig, e uma nota amassada de R$ 20. Nada de cartões de crédito ou da carteira de identidade.

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2005 | 00h00

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