As contradições para construir a terceira via

Marina Silva surgiu falante e confiante. Mas, se imaginou que tiraria apenas saldo positivo do passado, se viu pressionada a justificar escolhas recentes: sua passagem pelo ministério e história com o PT; seu "desconforto ético" com o mensalão que, segundo Bonner, "não foi forte". Mais traquejada do que Dilma - e menos pressionada a ser "simpática"-, soube pedir ao âncora que lhe permitisse terminar o raciocínio. O que em Dilma pareceria arrogância, em Marina supostamente foi coragem. Teve mais fôlego, mas ficou com a pecha de fugir à questão. Tentou desdobrar o meio ambiente em várias questões. Mas, amiúde, resultou num giro em torno de si mesma, sempre voltando ao ponto inicial. Citou só a "Lei de Gestão das Florestas Públicas" como realização. É pouco. No mais, busca a síntese entre o "sociólogo"(FHC) e o "operário" (Lula). Se não consegue pavimentar sua terceira via, vai iludir-se por duas outras estradas.

Carlos Melo, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

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