As diferentes maneiras de contabilizar a multidão gay

Para a PM, na área da Parada cabem 987 mil pessoas

William Glauber, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2008 | 00h00

Para chegar ao número de participantes da Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Travestis), a organização do evento esticava, puxava, empurrava, abraçava uma multidão. Com esforço e um público renovado no mínimo três vezes, os militantes conseguiram no ano passado enxergar do alto de trios, prédios e helicópteros até 3,5 milhões de pessoas. Desta vez, arriscaram só um palpite: o público cresceu.O coordenador do Mês do Orgulho GLBT de São Paulo, Manoel Zanini, prometeu para esta semana um cálculo aproximado, utilizando imagens aéreas. Inicialmente, ele havia dito que a contagem seria realizada por um arquiteto a partir da observação da movimentação nas vias dos trios elétricos e tomadas de helicópteros. "É preciso muita prudência. Vamos observar os pontos onde há superlotação e onde há menos gente." A Polícia Militar não se pronunciou sobre a multidão presente pela segunda edição consecutiva. Porém, com rigidez nos cálculos, considerado apenas o percurso oficial do Masp, na Avenida Paulista, até a Praça Roosevelt, na Rua da Consolação, caberiam 680 mil pessoas. Somando a área de concentração, na região da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, haveria um público de 978 mil.A conta é simples. A Polícia Militar estima, pela dimensão do evento, que até seis pessoas ocupem cada metro quadrado das vias. Em certos pontos, pode haver apenas quatro, mas, em outros, até oito pessoas. A partir daí, levam-se em consideração as medidas das áreas e se multiplica o público. A PM faz a contagem a partir da Brigadeiro até a Praça Roosevelt, e considera que 978 mil pessoas se espalham por 163 mil m². A organização da Parada, no entanto, considera como dispersão do evento a Praça da República, contando-se a área a partir da Brigadeiro, o que elevaria a espaço para 187 mil m² e o público para 1,125 milhão de pessoas.O coronel Paulo Adriano Telhada, responsável pela segurança da Parada deste ano, diz que, em eventos diurnos, o público tende a se renovar duas vezes. Assim, o público chegaria a 1,9 milhão de pessoas. Para chegar aos 3,5 milhões estimados pela organização, a área teria de ser esvaziada e preenchida várias vezes. "O público da Parada é flutuante. Em certos trechos do evento, é impossível circular e as vias transversais e paralelas ficam lotadas", explica o coronel. "No réveillon e na Parada, das tomadas aéreas, nota-se que não há espaços vazios na Paulista."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.