As possíveis causas para a nova onda de terror em São Paulo

O secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, apontou como causa para a nova onda de ataques é uma represália à divulgação de uma falsa lista com nomes de líderes do PCC que seriam transferidos para o presídio federal de Catanduvas.O secretário da Administração Penitenciária, Antônio Ferreira Pinto, negou que a lista esteja pronta e que saiba quantas vagas o governo federal reservará para os presos paulistas. "Eu pedi 40, mas ainda não tive resposta".Ferreira Pinto disse que a transferência tem caráter punitivo, mas não pegará nenhum preso de surpresa pois os advogados serão ouvidos.Torturas, maus-tratos, falta de atendimento médico, opressão e ameaças sofridas pelos detentos no sistema prisional. São esses os motivos apresentados pela Nova Ordem para a retomada de ataques às forças de segurança, ordenados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).Criada em julho do ano passado, a Nova Ordem está sendo investigada pelo Ministério Público Estadual como suposto braço da organização criminosa. Advogados presos no mês passado denunciaram aos promotores que a entidade exige R$ 5 de cada preso. Vale lembrar que a primeira série de ataques foi interrompida depois de uma visita da diretora jurídica da entidade, Iracema Vasciaveo, ao chefão do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, no dia 14 de Maio.O presidente da Nova Ordem, o ex-policial civil Ivan Raymundi Barbosa, convocou entrevista coletiva para divulgar as razões dos ataques e negar a relação da entidade com o crime organizado. "A advogada que fez essa denúncia nunca pertenceu à Nova Ordem", disse.Segundo Barbosa, os motivos dos ataques foram transmitidos por familiares de presos em três chamadas telefônicas ao seu celular a partir das 6h de ontem. Ele informou que denúncias de tortura e maus-tratos nos presídios estão sendo feitas às autoridades competentes desde o dia 15 de maio, mas que até agora nada foi feito."O próprio Marcos (Marcola) disse naquela reunião com a doutora Iracema, no CRP de Bernardes, o que é preciso ser feito para acabar com os ataques e rebeliões. Os presos querem que a família seja tratada com dignidade, que a Lei de Execução Penal seja cumprida e que os detentos não sofram ´esculachos´", disse Barbosa.Segundo o presidente da Nova Ordem, um detento da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde 463 líderes do PCC estão confinados desde o dia 11 de maio, os presos estão recebendo alimentação contaminada. Ele disse ter encaminhado, há 15 dias, denúncia à Vara de Execuções Criminais de que o detento Levi Carvalho Moreno está evacuando sangue por ter ingerido comida com cacos de vidro. A direção do presídio nega ter recebido reclamação do prisioneiro.Barbosa afirma que os presos da P2 de Venceslau se recusaram a receber visitas no domingo porque não estão suportando a opressão. "As mulheres passam por revistas íntimas vexatórias e são escoltadas até as celas sob a mira de fuzil."Integrantes da facção criminosa endossaram os motivos divulgados pela Nova Ordem. Eles disseram ao JT que a opressão carcerária vivida por detentos em Araraquara e Itirapina teria sido o estopim para o reinício dos ataques.Os presos criticaram a forma como a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) removeu 949 detentos da Penitenciária de Araraquara para outro pavilhão. Do dia 16 de junho até ontem, os 1.415 presos da unidade estavam confinados num único pavilhão. "Eles foram removidos só de cueca. Depois, foram jogando as roupas aos poucos. Estavam todas picotadas de faca. Até tênis estavam picotados", contou um detento transferido. A ala para onde ele foi removido tem apenas 15 celas. "Se chover, vamos dormir na chuva." Ligações políticasOs candidatos do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, e ao governo de São Paulo, José Serra, usaram nesta quinta-feira, 13, a mesma expressão - "muito estranho" - para comentar a nova onda de ataques do PCC em São Paulo. Serra lembrou que um inquérito policial de Santo André registrou a proximidade de um vereador petista paulistano com perueiros ligados ao PCC.O candidato do PT ao governo do Estado, senador Aloizio Mercadante, disse que a afirmação de Serra é "absolutamente leviana e mostra desespero político".Os ataques do PCC entraram na agenda da disputa eleitoral ontem, quando o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), disse que "o PT pode estar manipulando essas ações". Bornhausen registrou a "coincidência" dos ataques criminosos com a divulgação de pesquisas em que Alckmin cresce: "O PT vive no submundo e nada mais me espanta nesse partido", disse, na ocasião. Hoje, foi chamado de "irresponsável e golpista" pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). "A atitude dele é desqualificada e desrespeitosa", afirmou o petista.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.