Assaltante de 13 anos diz que a lei está do lado do bandido

Revólver na mão direita, a meninade 13 anos, nascida no Rio, deu as ordens. "Não faça nada,porque pode morrer." A ameaça foi feita assim que ela entrou noGol verde do auxiliar de cobranças Bruno Patruchelli Alves, de18 anos, que estava no volante do carro, parado num semáforo daAvenida Faria Lima, no Itaim-Bibi, zona sul de SP, na noite deontem.Alves foi obrigado a passar para o banco de trás e ficouao lado do assaltante Celso Aparecido dos Santos, de 18 anos.Outro ladrão, Célio Roberto Francisco de Souza, de 19 anos,dirigiu o Gol. Ao lado dele estava a menina.S.S.A., moradora da Vila Remo, na zona sul de SP, ondetambém moram seus cúmplices, faz parte da quadrilha de ladrões e seqüestradores chefiada por Souza. Com passagens pela Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), a garota, Santos e Souza foram presos pouco tempo depois do seqüestro, na Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi. Estavam procurando um bairro tranqüilo para sacar dinheiro de caixas eletrônicos, quando foram descobertos.Os ladrões não sabiam que um motorista que estava atrásdo Gol viu o seqüestro e, pelo celular, falou com a PolíciaMilitar. Os policiais da região do Morumbi, com as informaçõesdo carro e o número das placas, montaram bloqueios.Quando viram o Gol, policiais passaram a seguir os ladrões. No trânsito congestionado da Giovanni Gronchi, os militares fizeram várias ultrapassagens e, ao se aproximarem, viram S. colocar o braço para fora e dar sinal para que passassem. "A gente achou que era ambulância. Ninguém pensou que a polícia estava atrás da gente", disse a menina aos policiais militares do 16.º Batalhão.BatidaQuando Souza percebeu que os militares queriam prendê-los, acelerou o carro e acabou batendo num caminhão. As armas dos assaltantes, dois revólveres, foram entregues à menina. "Sou menor e eles disseram que nada pode acontecer se me pegassem com armas", contou S.Souza, apontado como chefe do grupo, do qual fazem parte mais três menores e dois maiores, saiu da prisão no dia 4. Foi autuado por assalto e seqüestro relâmpago, ficou nove meses preso e seus advogados conseguiram fazer com que ele respondesse ao processo em liberdade. Nas explicações, os advogados disseramao juiz que o ladrão estava regenerado, arranjaria trabalho eprometera não mais se envolver com atividades criminosas.O auxiliar de cobrança estava assustado. Disse ter sido surpreendido no trânsito e jamais imaginou que seria assaltadopor uma garota. Contou que iriam levá-lo para a zona sul e osladrões queriam sacar dinheiro do caixa eletrônico.O grupo foi levado para o 98.º Distrito Policial, no Morumbi. Ao ser ouvida no auto de prisão em flagrante, a menor surpreendeu os policiais civis. "Só falo em juízo." Um escrivão perguntou quem a ensinara a responder daquela maneira. "Foi o Célio", disse a garota. "Ele falou que bandido não deve falar nada para a polícia. A lei está do lado do bandido."Os cúmplices de S. também não prestaram declarações. Alegaram que o fariam somente na presença de um juiz. Os dois foram encaminhados para um distrito policial da zona sul. Elesforam enquadrados em crimes de roubo seguido de seqüestro e corrupção passiva de menores. A garota foi levada para a Febem.

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