Assaltante joga mãe com dois filhos menores no rio Negro

O drama da industriária Edilene Cascais Quaresma, de 26 anos, movimentou a capital do Amazonas nesta segunda-feira. Na noite de sexta-feira, dia 24, ao tentar chegar ao município de Itacoatiara (a 280 km de Manaus), a bordo de uma voadeira (pequeno barco a motor), com os filhos Kelvin Lucas Quaresma, de 7 anos, e Heloisa Cascais Quaresma, de 4, ela sofreu tentativa de assalto por parte do barqueiro. A família foi jogada nas águas do rio Negro, mas somente a mãe conseguiu nadar até a margem. As crianças estão desaparecidas e com poucas possibilidades de serem encontradas com vida.O que mais indignou a população de Manaus foi a frieza do barqueiro, o adolescente RST, de 16 anos, preso neste domingo. Segundo ele, a idéia era roubar o dinheiro da industriaria, mas como ela resistiu e entrou em luta corporal com ele, não teve alternativa a não ser jogá-la no rio. "As crianças, eu joguei porque estavam gritando muito e chamando pela mãe. Isso me deixou irritado", confessou ao delegado Emerson Negreiros, ao ser interrogado.O adolescente foi preso ao devolver o barco ao proprietário, na manhã de domingo. Ao chegar, encontrou a polícia à espera, uma vez que a industriaria havia conseguido se salvar e procurara a polícia. Inicialmente, ele tentou negar o crime, mas diante das evidências acabou confessando e dizendo o que havia feito com as crianças. "Atirei primeiro a menina, depois o menino, que desapareceu nas águas gritando pela mãe", narrou.Atirada no rio, por volta das 20 horas, Edilene Quaresma nadou durante 45 minutos. Quando já estava a ponto de perder totalmente as forças, encontrou um banco de areia, onde passou quatro horas antes de ser resgatada por dois rapazes que passavam em um barco e ouviram seus gritos por socorro. Ela contou que já estavam chegando próximo ao local onde deveriam desembarcar quando, ao notar que o motor havia parado, virou-se para trás. Nesse momento, foi agarrada pelo barqueiro, perdendo a bolsa, o celular e sendo atirada ao rio.Até o fim da tarde desta segunda-feira, membros da Capitania dos Portos e do Corpo de Bombeiros do Amazonas estavam à procura dos corpos das crianças. A informação de que os dois estavam salvos em uma casa chegou a animar os parentes, mas esta informação não fora confirmada até o escurecer. As buscas recomeçam nesta terça-feira.

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