Assaltantes negam participação no seqüestro de Daniel

O assaltante de bancos e homicida Aílton Alves Feitosa, resgatado por um helicóptero da Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos ? juntamente com o seqüestrador Dionísio Aquino Severo ?, e o ladrão Cleison Gomes de Souza, que seqüestrou o helicóptero e obrigou o piloto a descer na prisão, negaram participação no seqüestro e assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Feitosa e Souza foram presos no fim da madrugada desta terça-feira num sítio do município de Ibiúna.Na noite desta segunda-feira, a mãe, a irmã e o tio de Souza foram presos e indicaram onde os dois estavam. Na casa de Souza, em Embu, a polícia encontrou na semana passada um Santana que poderia ter sido utilizado no seqüestro do prefeito de Santo André, Celso Daniel.No carro havia cabelos brancos que poderiam ser do prefeito. ?Eu, seqüestrador e matador do prefeito? Nem brincando, moço. Não sou tão perigoso assim?, disse Souza aos policiais e jornalistas. Ele negou que sua casa, um sobrado, tenha servido de cativeiro, mesmo com a identificação do local por um empresário seqüestrado.No plano do resgate por helicóptero, Souza informou ter participado ?ativamente?. Por ele, ia receber um sítio no valor de R$ 30 mil de Feitosa. ?Foi o prometido. Foi mais fácil do que a gente pensava.?Quando perguntado sobre o Santana preto na garagem do sobrado, declarou que o carro estava parado havia mais de três meses. O delegado Romeu Tuma Júnior, responsável pelas investigações, disse que Souza está envolvido em muitos seqüestros.Na casa onde morava com a mãe, a irmã e o tio foram encontrados ternos, camisas e documentos queimados de vítimas. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) não pretende ouvir Souza sobre a morte do prefeito. No fim da tarde, ele foi mandado para o Centro de Detenção Provisória (CDP), de Osasco.Cercado de policiais, Feitosa é até engraçadoFeitosa surpreendeu os jornalistas com suas declarações e ?bom humor?. Explicou que foi dele a idéia do resgate por helicóptero, ?baseada no sucesso do traficante Escadinha, no Rio?. Diante do tumulto dos jornalistas das emissoras de televisão, pediu paciência: ?Calma pessoal. Tenho todo o tempo do mundo para falar com vocês. Estou condenado a 26 anos.?Feitosa se negou a dizer quanto pagou para ser resgatado pelo helicóptero e foi irônico: ?Não vou dizer porque não vou ter reembolso?.O assaltante disse que sua fuga da penitenciária foi ?fantástica?: ?Não foi uma fuga genial??, disse aos jornalistas. ?A gente faz as coisas de acordo com as possibilidades que a Justiça nos permite. Se não dá por terra, a gente vai por ar.?Autor de assaltos a banco e assasinatos, Feitosa disse ter elaborado o plano durante três meses. Convidou Severo, que chegara de uma penitenciária do interior do Estado, no meio do ano passado, e se tornou seu melhor amigo. ?Nós pensamos em muralha, buraco, render guardas e chegamos à conclusão de que para fugir o melhor seria o helicóptero.?Nos dias de visita, elaborou o plano com o filho de Severo e com Souza. ?Os rapazes cumpriram à risca tudo o que traçamos. Foi uma pena que fiquei menos de duas semanas em liberdade. Não deu nem para sentir o gostinho. Alegou não saber onde Severo está. ?A gente se separou. Cada um tomou um rumo. Eu estava preso desde 1993 e esperava juntar um bom dinheiro para mudar de País. Queria morar com a família no Paraguai, no Uruguai, menos na Argentina, porque lá as coisas andam piores do que aqui.?O delegado Tuma pretende localizar Severo em pouco tempo. ?Temos boas indicações.? Feitosa disse ainda que os policiais da muralha e os agentes penitenciários não estão envolvidos na fuga. Questionado sobre se ouviu tiros quando o helicóptero decolou, Feitosa afirmou. ?Não ouvi nada. Só fiquei com medo. Eu tenho medo de avião.?

Agencia Estado,

29 de janeiro de 2002 | 22h29

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