Assalto à padaria em Copacabana acaba em intenso tiroteio

A segunda-feira amanheceu violenta em Copacabana e deixou um rastro de balas por, pelo menos, cinco movimentadas ruas do bairro, na zona sul do Rio. Carros, fachadas de prédios, vitrines de lojas, paredes, árvores e máquinas de espeto giratória revelavam nesta segunda-feira, 29, a intensidade de um tiroteio que deixou moradores em pânico, feridos e um morto - um adolescente de 17 anos, flagrado pela polícia com mais três pessoas em um assalto à padaria Apolo XI. Durante a perseguição, uma jovem de 18 anos foi baleada na cabeça.Era cedo ainda, antes das 6 horas, quando dois funcionários da padaria, que havia sido roubada há duas semanas, foram surpreendidos por dois assaltantes. Segundo versão da polícia e do gerente do estabelecimento, Antônio Duarte, logo em seguida uma viatura do 19º BPM (Copacabana)passou pelo local e deparou-se com outros dois homens que davam cobertura à ação. Um deles teria atirado nos policiais. "Foram uns 20 segundos de disparos em cima da gente e nós reagimos. Pensei que ia morrer", contou um PM, que não se identificou, mostrando a marca de oito tiros no pára-brisa dianteiro da viatura.Os assaltantes fugiram a pé e de bicicleta, na direção do túnel Major Rubens Vaz, onde Luiz Fernando Carvalho, de 17 anos, foi baleado e morreu. Os outros entraram em um prédio da rua Barata Ribeiro, onde o trânsito é sempre movimentado. Dois deles foram presos - José Ivan Rodrigues Vianna, de 18 anos, baleado na nádega, e Wenden Cândiro Oliveira, de 22 anos - mas, apesar do aparato de 20 policiais que cercaram o lugar, o terceiro ladrão não foi capturado. Até o fechamento desta edição, a polícia ainda não havia divulgado se havia registro de outros crimes cometidos pelos detidos e pelo assaltante morto.IndignaçãoO tiroteio foi assunto durante o resto do dia entre moradores e pessoas que trabalham nas proximidades. Apesar da indignação, o medo fez com que todas as pessoas ouvidas pela reportagem pedissem anonimato. Embora a maioria deles tenha afirmado que o bairro carece de policiamento e até de iluminação adequada, houve quem declarasse que a única maneira de deter os assaltantes hoje, no Rio, é promovendo uma ronda impossível, durante todas as horas do dia, e em todos os pontos da cidade. "Eles estão cada vez mais ousados, e em todos os lugares. Se tem policial em uma esquina, eles atacam mais adiante. É sempre assim". Há 35 anos dono da padaria, Antônio Duarte mostrou-se resignado. "Nunca houve uma troca de tiros, mas assalto acontece sempre, e não é só o meu estabelecimento que é alvo", contou, dizendo que a situação era um pouco melhor quando existia uma viatura de prontidão a poucos metros de lá. Pelo menos um antigo funcionário da Apolo XI, com 30 anos de casa, já adiantou que não quer mais repetir a experiência. "Ele disse que não trabalha mais um dia aqui. Ficou muito assustado", contou Duarte. A mãe e uma irmã da jovem atingida com um tiro na cabeça compareceram à 13ª DP, em Copacabana, mas evitaram falaram com a imprensa. Eliane Bezerra da Silva foi baleada no meio da rua, quando levava a irmã mais nova para o trabalho, em um supermercado do bairro. A bala ainda está alojada na cabeça e o quadro de saúde dela inspira cuidados.

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