Assalto com reféns em Perdizes acaba sem feridos

Acabou bem, na manhã de hoje, o drama de um grupo de adolescentes, moradores do Edifício Rio Araguaia, na Rua Campevas, em Perdizes, zona oeste, que foram mantidos reféns durante oito horas por uma quadrilha de assaltantes. Depois de uma penosa negociação, que durou a noite e a madrugada inteiras e incluiu a utilização de alguns ardis pela polícia, oito bandidos se renderam e libertaram oito reféns, entre eles uma criança, que mantinham no apartamento 12 do prédio. A quadrilha, liderada por um bandido que se identificou como João, esperou clarear o dia e somente às 6 horas entregou as armas. Às 22 horas de quinta-feira, eles haviam invadido o prédio.Os bandidos temiam ser mortos ou agredidos pelos policiais e exigiram a presença de uma equipe de jornalismo da TV Record para acompanhar as negociações. Ao mesmo tempo, entretanto, reclamavam da presença de outros jornalistas nas proximidades do prédio. Para forçá-los a se render, o delegado Antonio de Olin ameaçou chamar o Grupo Especial de Resgate (GER), da Polícia Civil, e o Grupo de Ação Tática Especial (Gate), da PM. Assustados, os bandidos forçaram os reféns a ligarem para seus parentes, que esperavam na rua, angustiados, a conclusão das negociações. Os assaltantes ameaçavam matar todos se os policiais invadissem o apartamento. Não haveria invasão, garantiu a polícia. A ameaça foi usada somente para retomar os contatos, que estavam suspensos.Um delegado se passou por promotor e prometeu, ao lado de advogados dos bandidos, que eles teriam sua integridade física respeitada. O bando contava com 11 integrantes. Um deles havia sido preso ainda na guarita do prédio, às 22 horas de quinta-feira, e dois conseguiram fugir. A polícia fez uma busca no edifício para tentar localizar os fugitivos. Um deles seria conhecido como Paraíba. Na saída, aplaudidos pelos parentes, que choravam e rezavam, os reféns não conseguiam esconder o alívio e a emoção. Acompanhada pela mãe Ana, Mariana Massarenti, de 16 anos, demonstrava uma enorme sensação de alívio."Agora está tudo bem, foi tranqüilo, apesar do medo", disse. O produtor de multimídia Marcelo Cruz, de 27 anos, conseguiu até dormir, apesar da tensão. "Eles (os bandidos) nos trataram bem e até contaram piadas", contou. Os irmãos Rodrigo e Patrícia Cunha - ela ficou refém e foi libertada - se abraçaram quase chorando. O irmão ficou até o fim no apartamento. Os outros reféns eram o menino Lucas, de 8 anos, Lúcio de Araújo Alves, de 18 e Michael Pinheiro, de 26. Os bandidos e as vítimas foram levados para a Delegacia Anti-Seqüestro (DEAS), na Luz, região central.

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