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Assalto pode indicar que PCC assumiu controle da fronteira com Paraguai

Território que abrange 1.365 quilômetros é a porta de entrada para armas, drogas e contrabando

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2017 | 17h47

SOROCABA - O assalto cinematográfico à base da Prosegur em Ciudad Del Este, na madrugada desta segunda-feira, 24, pode indicar que o Primeiro Comando da Capital (PCC) assumiu o poder na linha de fronteira entre Brasil e Paraguai. O vasto território que se inicia no marco das Três Fronteiras, em Foz do Iguaçu, e termina próximo da cidade paraguaia de Bahia Blanca, na tríplice fronteira com a Bolívia, em uma extensão de 1.365 quilômetros, é a porta de entrada para armas, drogas e contrabando.

Em algum ponto, próximo ao lago da Hidrelétrica de Itaipu, a fronteira foi cruzada de barco pelo bando que assaltou em Ciudad del Este e fugiu para o Brasil. O assassinato de Jorge Rafaat Toumani, em uma emboscada em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016, abriu o caminho para a organização criminosa assumir o controle das operações na fronteira. Rafaat agia por conta própria e estabelecia o preço da droga - cocaína e maconha - a ser fornecida para as duas principais facções brasileiras ligadas ao tráfico: o PCC e o Comando Vermelho (CV). Isso desagradava os traficantes.

Conforme a Secretaria Nacional Anti-Drogas (Senad) do Paraguai, ao bancar a execução do "rei da fronteira", a facção paulista se credenciou para assumir as principais posições ao longo da linha internacional. As bases do PCC, antes concentradas em Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, foram estendidas a Salto del Guaíra, na fronteira com Guaíra, no Paraná, e Pedro Juan Caballero, vizinha de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.

Depois da morte de Rafaat, as polícias brasileiras e paraguaia registraram ao menos 38 execuções ao longo da fronteira, em um processo de eliminação dos supostos colaboradores do regime anterior. "Com a estrutura montada, o passo seguinte é mostrar força e marcar território, além de reforçar o caixa. Podem acontecer novas ataques no Paraguai ou na Bolívia", alertou Edgar Almada, diretor Antidrogas da Senad.

 

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