Assaltos, mortes e seqüestros - dia de cão em Belém

O assalto a uma agência do Banco do Brasil que redundou em dois bandidos mortos, um preso e três foragidos, que acabaram fazendo reféns dentro de uma loja de celulares, desencadeou outros assaltos na capital paraense e uma onda de boatos e trotes telefônicos que deixaram atônitas as polícias civil e militar.As ruas e avenidas do centro da cidade foram tomadas por viaturas e policiais armados como a população nunca tinha visto antes. Temendo assaltos, dezenas de lojas do centro comercial fecharam as portas. Escolas suspenderam as aulas e universidades não funcionaram, inclusive as do período noturno.A agência do Banco do Estado do Pará na Avenida Senador Lemos e também um carro-forte do Banco Central foram assaltados por homens armados que nada tinham a ver com o assalto ao Banco do Brasil. Perseguidos por viaturas da PM, os assaltantes abandonaram o carro-forte no bairro de Nazaré após trocarem tiros com os policiais. Ninguém foi preso.Um outro assalto, ao Banco do Pará localizado no prédio do Tribunal de Justiça, segundo a segurança do próprio banco, "não aconteceu". Mas um cliente desmentiu, afirmando que os bandidos haviam levado R$ 13 mil. Por volta das 15 horas, o líder dos assaltantes do Banco do Brasil, Darlan Assunção Rodrigues, de 19 anos, libertou quatro reféns da loja de celulares e se entregou à polícia, juntamente com seu comparsa, Hilton Aloísio Monteiro Assunção, de 22.Darlan, condenado a 20 anos de prisão por homicídio, é foragido da Penitenciária de Americano, em Santa Isabel, município da área metropolitana de Belém. Antes de soltar os reféns, os assaltantes tentaram enganar a polícia, fazendo um dos bandidos se passar por um refém que havia sido solto. Um soldado reconheceu o assaltante e ele foi preso. A aposentada Rosa Bezencry, que foi mantida refém dentro de seu automóvel Corsa por dois assaltantes do Banco do Brasil em fuga, resumiu para o Estado o pânico que afetou milhares de pessoas em Belém: "Com um revólver encostado em meu abdome, eu tive uma crise nervosa e passei a rir sem parar, enquanto a minha empregada, ao meu lado no carro, não parava de chorar".Rosa teve frieza e sorte. Sem que os bandidos percebessem, acionou o controle do alarme do veículo e o combustível foi cortado, fazendo o carro parar. Os assaltantes deixaram Rosa em paz, fugindo a pé sem que a polícia estivesse por perto.Em outra avenida, um dos assaltantes se refugiou dentro de um ônibus. Armado, provocou pânico entre os 38 passageiros, mas acabou morto a tiros por policiais militares. Ele fazia parte do grupo que roubou R$ 730 mil do Banco do Brasil. "Já está tudo calmo, a situação está sob controle", dizia no final da tarde o comandante do Policiamento Metropolitano, coronel Antonio Araújo.Ele próprio tentava explicar como tantas informações sobre assaltos a lojas, farmácias e até salões de beleza ganharam as ruas. "Foi uma onda irresponsável de trotes", justificou o coronel.Nenhuma explicação oficial, porém, conseguiu apagar da cabeça dos moradores da cidade o medo e a sensação de insegurança do dia de cão que a cidade viveu nesta sexta-feira. "Isso aqui está começando a virar o Rio de Janeiro", desabafava o frentista Adailton Novaes.Trabalhando num posto de gasolina, numa das avenidas mais movimentadas de Belém, a Governador José Malcher, ele revelou ter sido assaltado duas vezes na quarta e na quinta-feira, quase no mesmo horário, às duas da tarde. "Só falta a polícia dizer que foi coincidência", ironizou.

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