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Assaltos no Rio deixam 3 mortos e um PM ferido

Três assaltos na zona norte da cidade, com troca de tiros nas ruas, deixaram apavorados moradores dos bairros de Inhaúma e Irajá. Três pessoas morreram, um policial militar ficou gravemente ferido, e a irmã do diretor da Divisão Anti-Seqüestro, delegado Fernando Moraes, foi atingida por um tiro na mão. Num dos casos, quatro funcionárias de uma empresa de engenharia foram feitas reféns por assaltantes.A onda de violência na região começou às 20h de ontem. O comerciante Sílvio Santos Gonçalves, de 34 anos, foi morto com um tiro de fuzil no peito, quando chegava à casa de amigos, em Irajá. Gonçalves era suplente de vereador no município de Paracambi, na Baixada Fluminense, e pretendia se candidatar a deputado estadual pelo PTB, o que levou a polícia a suspeitar de crime político. A hipótese de tentativa de roubo de carro também será investigada. O comerciante era casado com a jornalista Beth Luchesi, repórter da Rede Globo.Gonçalves havia estacionado o carro, um Fiat Brava azul, na Rua Jucari, em frente ao número 108, quando foi cercado por quatro homens armados de fuzis HK, calibre 762, que estavam em um carro de cor escura. Os criminosos dispararam cinco tiros e um dos projéteis atingiu o peito do comerciante, que morreu na hora. Os assassinos não levaram a carteira e o celular de Gonçalves, que estavam no banco do carona. Eles também não roubaram uma pistola 380, que o comerciante costumava levar. Às 9h30 de hoje, um grupo de cerca de 10 homens, em pelo menos dois carros, assaltaram uma empresa de engenharia na Rua José dos Reis, em Inhaúma. Três deles entraram na empresa e renderam os funcionários. Os outros ficaram do lado de fora, dando cobertura para os comparsas. Um dos criminosos levou uma funcionária até a agência do Unibanco da Rua Dias da Cruz, no Méier, e a obrigou a sacar R$ 14 mil. Hoje era dia de pagamento de funcionários e de distribuição vales-transporte e tíquetes-refeição. "Eles estavam informados. Sabiam que era o dia certo para o assalto", afirmou um policial militar, que foi chamado para a ocorrência.Quando o grupo deixou a empresa, os funcionários avisaram a PM. Houve troca de tiros entre policiais e assaltantes num Gol branco, na Avenida dom Hélder Câmara. Eles conseguiram escapar. Mas o assaltante Luciano Cavalcante dos Santos, de 27 anos, que tinha feito três funcionárias reféns, foi cercado pelos policiais. Ele libertou as moças depois de negociar com policiais. Santos foi preso e a polícia apreendeu três armas com ele e um Gol cinza roubado.Meia hora depois, a 800 metros dali, o sargento da PM Jeferson Leal da Silva, de 32 anos, lotado na Divisão Anti-Seqüestro, e a irmã do delegado Fernando Moraes, Idalina Moraes, de 52 anos, foram rendidos por dois assaltantes, na Rua Edmundo. A dupla pretendia roubar o carro do policial, um Golf verde.Leal e Idalina foram obrigados a passar para o banco de trás do veículo. Os assaltantes dirigiram por cerca de 300 metros, quando um deles descobriu que Leal era policial. "Quebra (mata) ele", disse o criminoso para o comparsa. Nesse momento, Leal reagiu. Ele matou o assaltante que estava no volante e trocou tiros com o outro criminoso.O tiroteio dentro do carro apavorou quem passava perto. Pessoas que estavam em uma padaria a 20 metros do local do crime se jogaram no chão, algumas tentaram se proteger atrás do balcão. Leal foi atingido por três tiros no tórax, abdômen e axila, e teve o baço e o fígado perfurados. Ele foi operado no Hospital Geral de Bonsucesso e está em observação. Idalina foi baleada na mão. Ela foi socorrida por um taxista e levada para o Hospital Salgado Filho. O criminoso que estava no banco do carona morreu pouco depois de ser atendido por paramédicos de uma ambulância do Corpo de Bombeiros.Para o delegado Fernando Moraes, que esteve no local do crime, a dupla de assaltantes estava fugindo de "outra situação". "Já mandei uma equipe investigar se os dois estavam envolvidos no assalto à empresa de engenharia", afirmou. Moraes descreveu Leal como um homem brincalhão e eficiente. "Tanto que ele não reagiu quando foi abordado. Ele só reagiu quando correu risco de vida." Leal fez parte da equipe que resgatou a atriz Vanessa Bueno de um cativeiro em Magé, na semana passada.

Agencia Estado,

29 de maio de 2002 | 18h09

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