Assassinato de índio torna clima tenso em Pau Brasil

O clima voltou a ficar tenso na reserva Caramuru Catarina Paraguaçu, do município de Pau Brasil, sul da Bahia, onde índios pataxós disputam terras com fazendeiros, instalados irregularmente na região há mais de trinta anos. Milton de Matos Silva Taúba, de 46 anos, foi assassinado a tiros, supostamente numa emboscada, por pistoleiros nas terras do fazendeiro Joel Brito, ocupada pelos pataxós há um ano. Embora não fosse índio de nascença, Taúba era casado com uma pataxó e vivia com os índios há mais de 30 anos. Nesse condição, Taúba participou da nova onda de invasões promovida pelos pataxós no início do ano passado, em fazendas localizadas nas terras da reserva indígena, e vivia na fazenda de Joel Brito. Desde o inicio da ação, 80 propriedades foram ocupadas, gerando revolta dos fazendeiros, que exigem indenização. Em vinte anos, a disputa pelas terras em Pau Brasil, já resultou na morte de 14 índios e dois policiais. Diante dessa nova morte, a polícia militar foi enviada para a zona de divisa da reserva indígena, enquanto uma equipe da Polícia Federal (única autorizada a entrar na área) é esperada nesta tarde para investigar o assassinato, cujos autores não foram identificados. O cacique Gerson Souza Melo, o "Gérson Pataxó" disse que a vítima tinha recebido várias ameaças de morte. "Nós inclusive pedimos providências ao Ministério da Justiça, mas nenhuma providência foi adotada", reclamou. Gerson Pataxó pediu mais uma vez o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do processo que pede a anulação dos títulos ilegais de terras dos posseiros de Pau Brasil. Se a decisão for favorável aos índios, eles vão receber de volta 54 mil hectares de terras ocupadas pelos fazendeiros da região. Depois de necropsiado no Instituto Médico Legal da cidade de Itabuna, o corpo de Taúba foi transportado para a aldeia Caramuru Catarina Paraguaçu, onde será sepultado.

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