Assassinato de João Hélio impulsionou trâmite de leis

Morte do menino, arrastado por carro, causou choque

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 00h00

O pacote de segurança que inclui o projeto de lei aprovado ontem na Câmara, que altera o funcionamento do Tribunal do Júri, começou a tramitar logo após o assassinato de João Hélio Fernandes Vieites, de 6 anos, no Rio, em 2007. Ontem, o pai do menino, Elson Lopes Vieites, não quis comentar a votação. João Hélio foi arrastado por assaltantes, preso ao cinto de segurança, do lado de fora do carro da mãe, Rosa Cristina Fernandes, por 7 quilômetros. No fim de janeiro, a oito dias de a morte do menino completar um ano, quatro acusados foram condenados em primeira instância a mais de 20 anos.Carlos Eduardo Toledo Lima, de 23 anos, que dirigia o carro, foi condenado a 45 anos de prisão, e Diego Nascimento da Silva, de 18, que estava no banco do carona, recebeu pena de 44 anos e 3 meses. Thiago Abreu Matos, de 19, e Carlos Roberto da Silva, de 21, foram condenados a 39 anos - eles não estavam no carro, mas participaram do assalto e deram "cobertura" no percurso, segundo a sentença. Todos foram absolvidos da acusação de formação de quadrilha. Um adolescente que estava no banco de trás foi punido, em março de 2007, com a mais dura medida permitida - internação de até 3 anos. O crime ocorreu em 7 de fevereiro de 2007, quando Rosa voltava para casa com João Hélio e a filha Aline, de 13. Ao parar num sinal de trânsito na Rua João Vicente, em Oswaldo Cruz, na zona norte, foi abordada pelos criminosos, armados, que ordenaram que saísse do carro. Aline e Rosa, que estavam nos bancos da frente, saíram. Quando Rosa tirava o filho do banco de trás, que estava com o cinto de segurança, um deles bateu a porta, e outro arrancou. O corpo foi arrastado por 14 ruas de quatro bairros. Os assaltantes abandonaram o carro com o menino pendurado e fugiram.

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