Assassinato de juiz não ficará impune, diz secretário

O secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, disse hoje, em Sorocaba, que o assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, não ficará impune. Segundo ele, é uma questão de honra para o governo elucidar o crime e prender seus autores. "Toda a polícia de São Paulo está trabalhando em função disso."Ele acredita que não haverá demora para a prisão dos criminosos. "Estamos atuando de forma coordenada e há muitos indícios sendo investigados." Abreu Filho considerou a morte do juiz um duro revés para a segurança pública, mas disse que o fato não deve visto como um aumento na criminalidade. "Todos os índices estão caindo." Ele criticou os que gostam de ver apenas o lado negativo. "Essas pessoas contribuem apenas para aumentar a angústia e a sensação de insegurança das pessoas." Abreu Filho participou, com o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, da substituição, na guarda das muralhas de três presídios de Sorocaba, dos policiais militares por agentes de escolta e vigilância penitenciária. Segundo ele, a troca está ocorrendo em todo o Estado, em regime experimental. Com a medida, cerca de 4 mil policiais deixam os presídios e voltam para o policiamento.Retrato faladoA Superintendência da Polícia Federal do Rio informou que está espalhando em aeroportos, portos, rodoviárias e delegacias do Estado cópias dos retratos-falados dos dois suspeitos de assassinar o juiz corregedor de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, há uma semana. A determinação foi da direção geral do PF. A superintendência não divulgou se a iniciativa se deveu a algum indício de que os suspeitos poderiam passar pelo Rio.PresídiosNo dia em que estava prevista uma grande manifestação nos presídios para "comemorar" a morte do juiz Antonio José Machado Dias, o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, visitou duas penitenciárias e um Centro de Detenção Provisória (CDP), hoje em Sorocaba. Ele estava acompanhado pelo juiz corregedor da Comarca, José Eduardo Marcondes Machado, o primeiro a retomar a inspeção de presídios após a morte do colega. "Quero mostrar que está tudo sob controle", disse Furukawa durante a visita, acompanhada pela imprensa. O secretário e o juiz percorreram as principais alas do CDP e das Penitenciárias I e II, conversaram com os presos e reuniram-se com as respectivas administrações. "Estou satisfeito com o que vi, mostra que estamos no caminho certo." Segundo ele, a situação entre os presos era de tranqüilidade. Ao ser informado que os presídios de Sorocaba não têm vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção que deflagraria o movimento, ele disse que até o início da tarde tinha ocorrido apenas um princípio de tumulto no CDP de Guarulhos. "O batalhão de choque da Polícia Militar está fazendo uma revista rotineira naquela unidade."Furukawa confirmou que a Secretaria foi informada sobre possíveis manifestações e os diretores das 110 unidades espalhadas pelo Estado foram alertados. "Temos sempre preocupação com os presídios, mas o número de rebeliões, fugas e mortes violentas está caindo e isso não acontece por acaso." Segundo ele, a Secretaria adotou medidas para reduzir a possibilidade de os presos se organizarem em facções dentro das unidades. Ele citou como prova da vigilância a interceptação do bilhete que teria sido escrito pelo preso conhecido como Gegê do Mangue e seria entregue ao líder do PCC, Marcos William Herbas Camacho, o Marcola. O manuscrito informava sobre o assassinato do juiz. "Não podemos impedir que os presos tenham papel e caneta, mas nossos funcionários não permitiram que o bilhete chegasse ao destinatário." Segundo Furukawa, a hipótese do crime ter sido planejado dentro dos presídios está sendo investigada. "Criamos o máximo de dificuldade para esse tipo de articulação, mas não podemos proibir visitas e contatos com advogados." Em Sorocaba, da substituição dos 60 policiais militares que faziam a vigilância das muralhas dos presídios por 132 agentes de escolta e vigilância penitenciária. "Estamos mais do que dobrando o efetivo", afirmou. Ele disse que os agentes passaram por um processo de seleção e receberam treinamento em academias da Polícia Militar. "Estão preparados para o ofício." Em todo o Estado, cerca de 4 mil policiais deixam as muralhas e voltam para o policiamento. Elias MalucoAbreu Filho disse ter ficado surpreso com a revelação da juíza de Porto Feliz, Daniela Bortoliero Ventrice, de que o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, preso sob a acusação de ter assassinado o jornalista Tim Lopes, ficou escondido durante mais de um mês naquela cidade do interior de São Paulo quando era procurado pela polícia, no ano passado. A juíza autorizou a Polícia Federal a gravar conversas telefônicas do traficante. O secretário disse que enviará ofício à juíza pedindo informações. "Não houve comunicação do fato às polícias Civil e Militar, que poderiam ter contribuído com as investigações." Ele disse que a integração entre os poderes é fundamental para combater o crime organizado. "Quem combate o crime e dá escolta à juíza é a polícia local, que deveria estar informada." A juíza conta com escolta desde terça-feira em razão de ameaças recebidas de traficantes e de militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST).

Agencia Estado,

20 de março de 2003 | 17h12

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