Assassinato de promotor faz Itamar antecipar volta

A assessoria do governador Itamar Franco (PMDB) informou que ele decidiu antecipar sua volta a Belo Horizonte por causa do assassinato do promotor Francisco José Lins do Rêgo Santos. Ele deverá se reunir no aeroporto da Pampulha com representantes do Ministério Público, do Comando da Polícia Militar e com o secretário de Estado de Segurança Pública para avaliar o caso. Itamar estava em São Paulo, mantendo uma série de contatos políticos e pretendia voltar a Belo Horizonte neste sábado.Francisco José Lins do Rêgo Santos foi executado por volta das 14h15 nas esquinas da rua Joaquim Murtinho e avenida Prudente de Morais, no bairro Santo Antônio, região sul da capital mineira. A Polícia Militar encontrou 16 cápsulas de pistola semi-automática no local, mas, segundo os primeiros indícios, 14 tiros atingiram o procurador.O promotor vinha investigando há um ano denúncias de que alguns postos estavam adulterando combustíveis. Segundo informações do Ministério Público Estadual, a partir dos primeiros resultados das investigações do promotor, 22 postos foram fechados na região metropolitana e oito representantes da rede varejista, incluindo proprietários e administradores dos estabelecimentos, tiveram a prisão preventiva decretada. Santos pertencia à Promotoria de Defesa do Consumidor e fazia parte do Ministério Público desde 1986.O deputado estadual Rogério Correia (PT) informou que as primeiras provas da adulteração de combustíveis foram encaminhadas à Assembléia Legislativa pelo Sindicato dos Fiscais do Estado (Sindifisco), que também apurava indícios de sonegação de impostos pelos estabelecimentos. As denúncias foram submetidas à apuração pelo Ministério Público do Estado, que já estava cuidando do caso.Segundo Correia, na época o Legislativo mineiro chegou a considerar a proposta de instalação de uma CPI para investigar o assunto, mas como a promotoria de Defesa do Consumidor estava avançando nas investigações, a idéia foi abandonada.A assessoria de imprensa do MPE confirmou que Francisco Lins também estava investigando a adulteração de medicamentos e conseguiu liminar que impedia a cobrança de sobretaxas e o corte no fornecimento de energia no Estado, conforme imposições do plano de racionamento. Francisco Lins era natural do Rio de Janeiro, tinha 43 anos, era casado e tinha dois filhos, um de 4 e outro de um ano.

Agencia Estado,

25 de janeiro de 2002 | 18h07

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