Assassinato de Tim Lopes continua sem solução

Há trinta dias, o jornalista da TV Globo Tim Lopes desapareceu no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, onde fora fazer imagens sobre um baile funk com shows de sexo explícito com menores e venda e consumo de drogas. Bandidos confirmaram à polícia a morte do repórter, cujos objetos pessoais foram encontrados queimados numa cova rasa no alto da Favela da Grota. Mas até hoje os restos mortais não foram encontrados e o principal acusado do crime, o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, continua em liberdade.O inspetor Daniel Gomes, da 22ª Delegacia Policial (Penha), que investiga o crime, disse que o resultado do exame de DNA nos mais de 50 fragmentos de ossos encontrados durante as escavações no cemitério clandestino no morro pode sair a qualquer momento. A conclusão de um exame divulgado no dia 21 de junho, que levou 15 dias para ficar pronto, mostrou que os restos mortais que a polícia acreditava ser de Lopes não eram do jornalista. "O exame é científico, demora. Enquanto não sai o resultado, estamos trabalhando para colher as provas necessárias para concluir o inquérito", disse Daniel Gomes. O chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, já disse que o prazo do inquérito que apura a morte do jornalista, que termina no próximo dia 6, deverá ser prorrogado, caso o DNA constate que os fragmentos mortais não eram dele. Para Teixeira, o crime já está esclarecido porque já se sabe quem o cometeu e há provas materiais.Desde a morte de Lopes, a polícia recebeu 500 denúncias sobre o paradeiro de Elias Maluco, mas todas as operações de busca ao bandido foram frustradas. Quatro dos oito indiciados no crime estão presos. Eles contaram à polícia que Lopes foi retirado da Favela da Vila Cruzeiro e levado para o alto da Favela da Grota num carro. Antes de morrer, com um golpe de espada, ele levou um tiro no joelho e teve as pernas cortadas, segundo os criminosos. O corpo foi colocado num tonel, ao qual foi ateado fogo.ReuniãoHoje a comissão de jornalistas que acompanha o caso Tim Lopes se reuniu mais uma vez e propôs a realização de um seminário com colegas latino-americanos para discutir os riscos do jornalismo investigativo. Eles cobram a lentidão da polícia para prender Elias Maluco e seus comparsas. A categoria convocou a população do Rio para mais uma manifestação em memória de Lopes, no próximo domingo. Depois da orla da zona sul e o centro, a passeata tomará dessa vez as ruas da Tijuca, na zona norte.Ao meio-dia de amanhã será realizado ato ecumênico em homenagem ao repórter no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro. Foram convidados para a cerimônia representantes das religiões católica, evangélica, muçulmana e espírita. O presidente da ABI, Fernando Segismundo, disse que o ato é um protesto contra a demora na prisão dos assassinos de Tim Lopes.

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