Assassinatos crescem em 2009 e governo culpa crise

A taxa de homicídios voltou a subir em São Paulo este ano, atingindo 11 por cem mil habitantes por ano no primeiro trimestre e provavelmente subindo acima desse nível no segundo. Para o sociólogo Túlio Kahn, chefe da Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a piora está ligada à crise econômica. "O efeito da recessão é muito mais agudo e imediato; quando a economia melhora, não se reflete de forma tão rápida e intensa", diz Kahn. Ele deixa claro que o aumento recente da criminalidade e dos assassinatos é um fenômeno nacional, exemplificando com taxas de homicídios no Rio de Janeiro e Minas Gerais, que começaram a piorar de meados para o final do ano passado, depois de um bom período de melhoras expressivas. O sociólogo é adepto das análises estatísticas mais rigorosas das causas do crime, com os trabalhos dos economistas Gabriel Hartung e João Manoel Pinho de Melo. Ele próprio já fez pesquisas nessa linha e estará na banca que vai examinar a tese de doutorado de Hartung no mês que vem. Khan, portanto, acredita que o desarmamento e a demografia são importantes fatores de longo prazo na queda dos homicídios no Estado e menciona a economia como algo mais ligado ao curto prazo. Mas ele acrescenta a gestão policial como outro fator importante de longo prazo, embora com efeitos mais difíceis de medir. Khan cita como um dos avanços de gestão em São Paulo a introdução do Infocrim em 1999, que, para ele, mais do que um software de georreferenciamento da atividade criminal, é um "sistema de gestão", que permite estabelecer e cobrar metas dos agentes policiais. Outra frente de atuação da polícia paulista foi no desarmamento. Na sua tese de doutorado, Hartung usa a quantidade de armas apreendidas e a das perdidas como indicadores do estoque junto à população. As armas apreendidas poderiam refletir mais a intensificação da repressão policial do que a quantidade. Porém, com algumas ferramentas estatísticas, o economista consegue indicar que refletem mais o estoque. Na verdade, o número de revistas policiais aumentou mais de 600% em São Paulo de 1997 a 2006, quando caíam as apreensões. Kahn nota que, acompanhando a piora do número de homicídios recentemente, no último trimestre de 2008 e no primeiro de 2009, as apreensões de armas ilegais voltaram a aumentar, indicando uma ampliação do estoque, depois de caírem continuamente desde 2003, quando entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento. "Isso pode estar ligado à alta dos homicídios", diz.

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

13 Julho 2009 | 00h00

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