Assassino da avó diz não se lembrar de crime

Ao ser preso, em 24 de novembro de 2002, o ex-estudante de Direito Gustavo de Macedo Pereira Napolitano, de 25 anos, confessou ter matado a facadas a avó, Vera Kuhn Pereira, de 73, e a doméstica Cleide Ferreira da Silva, de 20, na casa da família, no Planalto Paulista, zona sul, após consumir grande quantidade de cocaína. Deu até detalhes dos crimes. Nesta quinta, no julgamento no 1º Tribunal do Júri, recuou. "Não lembro de ter feito tal coisa com as pessoas", disse. "Mas todas as evidências apontam para mim."Com base num laudo dos peritos Paulo Vasques e Bernadete Brito, segundo o qual Napolitano é portador de transtornos mentais e comportamentais por uso de cocaína, a defesa tentaria convencer os jurados de que ele é inimputável e deve ir para um manicômio judiciário. O promotor Hideljama Muccio refutou a tese da defesa e pediu a pena máxima: 60 anos.Napolitano é acusado de duplo homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, impossibilidade de defesa e meio cruel). Vera foi degolada enquanto dormia e levou 13 facadas. Cleide recebeu 53 estocadas.À polícia, Napolitano disse que matou a avó por volta da 1 hora, após consumir seis papelotes. E a doméstica, depois das 6 horas, quando já consumira outros 15 gramas. Horas depois levou o carro da avó à favela da Rua Mauro, onde tentou trocá-lo por uma arma para suicidar-se.Hoje, o réu disse se lembrar apenas da vontade de se matar. Disse que tomou vários comprimidos de Prozac para potencializar o efeito da cocaína e morrer de overdose.

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