Assassino de garoto foi frio e cruel, diz testemunha

"Isso é um boneco de Judas", disse Diego Nascimento Silva para uma testemunha enquanto o menino João Hélio Fernandes, 6 anos, era arrastado até a morte. A frase foi dita no momento em que, após perseguição, a testemunha emparelhou seu carro com o dos criminosos e perguntou o que era aquilo "quicando". Diego, de 18 anos, está preso, acusado de assassinato. A testemunha prestou depoimento nesta sexta-feira ao delegado Hércules Nascimento Pires, da 30.ª Delegacia Policial. Ela reconheceu Diego como um dos autores do crime. "Ele foi frio e muito cruel", declarou um policial. O pai do acusado, Kerginaldo Marinho da Silva, 35 anos, ajudou a localizar o filho, depois que policiais foram até sua casa movidos por uma denúncia anônima. Ele entregou uma fotografia de Diego e o telefone do local onde estava escondido. PMs do 9.º Batalhão (Rocha Miranda) prenderam o criminoso no Morro São José da Pedra, em Madureira, zona norte. "Ele fez isso porque gosta de mim e quer meu bem", afirmou Diego sobre o pai. Kerginaldo, que trabalha como porteiro em uma escola, disse nesta sexta não estar arrependido de ter entregado o filho. "Procurei ajudar a Justiça. Ninguém aceita uma coisa dessa. Nunca compactuei com crimes bárbaros", disse. O porteiro contou que a casa da família, em Cascadura, foi apedrejada e chorou ao falar sobre as ameaças que vem sofrendo. "Só peço que deixem meus familiares em paz. Um erro não pode ser pago com outro", afirmou. Diego mudou de comportamento desde o ano passado, quando rompeu o relacionamento com uma namorada e começou a usar drogas, a roubar carros e a passar dias fora de casa. "Ele perdeu peso e mudou de atitude. Os vizinhos falavam que estava fazendo besteira. Mas eu conversava e nada", disse Kerginaldo. A mãe fugiu de casa quando Diego tinha dois anos e nunca mais entrou em contato com a família. O pai criou o menino e teve duas filhas com a segunda mulher. "Sempre tive responsabilidade", declarou o porteiro, que se considera um exemplo. "Queria que todos fizessem o que eu fiz. A gente põe um filho no mundo e não sabe nada sobre seu futuro."

Agencia Estado,

09 Fevereiro 2007 | 18h38

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