Assassino de Glauco vai responder por mais um crime de latrocínio

Carlos Eduardo Sundfeld Nunes deverá responder pela morte de do agente prisional Marcos Vinícius Lemes da Abadia

Marília Assunção, Especial para O Estado

29 Outubro 2014 | 20h30

GOIÂNIA - O estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, de 28 anos, vai responder por mais um crime de latrocínio, por causa da morte do agente prisional Marcos Vinícius Lemes da Abadia, há uma semana. Com isto, ele, que está preso na área de segurança máxima do Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia, agora responde por cinco crimes em Goiás. 

Cadu também é o assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vilas Boas, em 2010. O rapaz tem esquizofrenia paranoide e, por isso, é considerado inimputável pela Justiça.

A acusação contra Cadu foi reforçada esta semana pelo promotor de Justiça Fernando Braga Viggiano, da 18ª Promotoria de Goiânia, que ofereceu aditamento à denúncia inicial. O rapaz passou a responder pelo latrocínio do estudante universitário Matheus Pinheiro de Morais, 18 anos, receptação de carros roubados, porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada e agora latrocínio em relação a Marcos da Abadia. 

O agente prisional estava internado, inconsciente, havia mais de 50 dias, após ser baleado por Cadu na cabeça durante uma tentativa frustrada de tomar o carro da vítima. Marcos da Abadia não resistiu aos ferimentos e morreu na quinta-feira, 23. 

Imagens de câmeras de segurança da rua onde houve o latrocínio, a T-28, no Setor Bueno, mostram Cadu lutando com Abadia e atirando no agente que tentava impedir o assalto. Abadia era conhecido no sistema prisional porque desenvolvia um trabalho humanitário e a morte dele gerou revolta e receio pela segurança de Cadu, levando as autoridades a decidirem pela prisão sob isolamento, em área de segurança máxima.

Esquizofrenia. Cadu cometeu os crimes em Goiás após ter sido liberado da clínica psiquiátrica onde era acompanhado pelo seu o diagnóstico de doente mental, passando para acompanhamento com a família. Ele deveria, porém, comparecer frequentemente em consultas com especialistas da área e fazer uso de medicação psiquiátrica, coisas que passou a fazer sem regularidade após a alta médica autorizada pela Justiça de Goiás, em agosto de 2013. 

A liberdade foi possível porque ele já havia cumprido os prazos legalmente previstos pelo Código Penal nestes casos. Na época, a juíza Telma Aparecida disse que levou em consideração os relatórios psiquiátricos que assinalavam que a periculosidade da esquizofrenia do rapaz estava sob controle e que ele não oferecia ameaça. Também pesou uma avaliação pela junta médica do Tribunal de Justiça de Goiás.

Após os novos crimes cometidos por Cadu em Goiás, descobertos um ano depois da soltura, entre o fim de agosto e o início de setembro, a Justiça de Goiás, por meio de decisão do juiz Gustavo Dalul Faria, da 5ª Vara Criminal de Goiânia,  decidiu converter a prisão em flagrante do estudante em prisão preventiva. Na ocasião, o magistrado destacou que havia indícios da materialidade e da autoria dos crimes por parte de Cadu, reconhecido por várias testemunhas como o assaltante que atacou as vítimas. 

O juiz ainda reforçou que a manutenção do estudante preso era necessária para garantir a ordem pública. "A medida é imperiosa para a conveniência da instrução criminal, já que, se em liberdade, pode causar toda sorte de transtornos na apuração do fato delituoso, ante a concreta indicação da personalidade criminosa", enfatizou na decisão, de 3 de setembro, mesmo dia em que Cadu foi transferido para o Complexo Prisional.

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