Assassino de inglesa é condenado a 21 anos

Mohammed detalhou em depoimento como matou jovem, esquartejou e ocultou o cadáver

Rubens Santos, GOIÂNIA, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

O goiano Mohammed D?Ali Carvalho dos Santos foi condenado ontem a 21 anos de prisão em regime fechado, a serem cumpridos na Penitenciária Odenir Guimarães, pelo assassinato da inglesa Cara Marie Burke, em 26 de julho de 2008. A sentença foi anunciada às 23 horas pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, do 1º Tribunal do Júri de Goiânia, após 14 horas de julgamento. A pena foi a soma de 19 anos pelo homicídio e 2 pela ocultação do cadáver.Durante seu julgamento, Mohammed, de 21 anos, detalhou como matou e esquartejou Cara, que tinha 17, e ocultou o cadáver. Segundo ele, o casal começou a discutir em casa. A inglesa teria ameaçado contar à mãe dele que era usuário de drogas. "Quando ela foi ao telefone, eu peguei a faca e enfiei nela." Depois disse que comprou outra faca para esquartejar o corpo, o que fez no dia seguinte ao assassinato. "Cortei primeiro a cabeça, depois os braços e, por fim, as pernas", disse Mohammed. Em seguida espalhou as partes do corpo pela cidade. "Ele premeditou, planejou e executou o crime com frieza e brutalidade", afirmou em plenário o promotor Milton Marcolino. "Mohammed é completamente imputável e não é antissocial nem psicopata", disse.Ao depor ontem, o psicólogo Fred Lacerda, contratado pela defesa, confirmou o parecer dado pelos profissionais do Tribunal de Justiça de Goiás, segundo o qual o réu tem transtorno de personalidade antissocial. Lacerda afirmou que o transtorno é passível de melhora, mas não de cura. "O problema é igual à psicopatia", afirmou. Questionado pelos jurados se uma pessoa com essas características pode ter um surto a qualquer momento e atacar alguém, o psicólogo respondeu que sim e acrescentou que o portador do transtorno tem consciência de seus atos, mas não é capaz de controlá-los. A namorada de Mohammed, Helen de Matos Vitoy, que depôs como testemunha de defesa, disse que ambos têm um filho de 2 meses e disse acreditar que eles poderão viver em família. Em seu depoimento, Mohammed ainda admitiu ter cometido atos violentos desde a infância. "Eu pegava gatos na rua, amarrava o pescoço no alto do muro, fazia o cachorro alcançar o gato até arrancar o pescoço", afirmou, rindo. "Eu não acho nada horripilante."O irmão mais velho confirmou em depoimento que o réu tentou matá-lo na adolescência. Ele mostrou cicatrizes na perna e no estômago que seriam resultantes de facadas. No depoimento, o estudante universitário Bruce Lee disse ainda que sempre teve medo do irmão, pois ele tinha comportamento compulsivo e não sabia dominar as emoções. Confirmou, por diversas vezes, o que a tia havia dito: que ele sofre com a ausência do pai, policial militar, e sempre teve problemas na escola. Bruce afirmou que o pai dos dois foi assassinado e esquartejado. "Nunca acharam os assassinos", acrescentou. O estudante disse ainda ter percebido que Mohammed usava drogas quando constatou que o irmão havia vendido sua TV.

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