Assassino de jovem em briga de trânsito continua foragido

Alexandre Andrade Reyes, de 18 anos, foi enterrado ontem; parentes pedem justiça

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2008 | 00h00

Quanto vale uma vida? Essa era a pergunta que familiares do estudante de 18 anos Alexandre Andrade Reyes se faziam ontem durante o enterro do jovem no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, zona oeste da capital. Reyes foi assassinado com um tiro na nuca na sexta-feira à noite, durante uma briga de trânsito no Jabaquara, zona sul. Até a noite de ontem, o assassino continuava foragido. "Os valores estão invertidos. Qual é o valor da vida do meu filho?", questionou Heitor Geraldo Reyes, de 48 anos, pai de Alexandre. "Quem anda armado já sai predisposto a arrumar confusão", falou. Familiares querem justiça. "Esperamos que a polícia encontre logo esse monstro para que ele não faça com outros o que fez com meu filho", disse o pai do estudante. Reyes morreu ao voltar de uma festa de aniversário. Ele estava em um Corsa na companhia de amigos. Quando estavam na Avenida Engenheiro Arruda Pereira, uma picape Montana vermelha, que guiava na frente deles, freou repentinamente por causa de uma lombada. O amigo de Reyes, que dirigia o Corsa, também brecou. Apesar de não terem se chocado, houve discussão e briga. O motorista da Montana atirou e atingiu o estudante, que chegou morto ao hospital. Os amigos de Reyes chegaram a perseguir a Montana, mas o motorista do Corsa bateu contra um poste de iluminação. Mas eles anotaram parte da placa da Montana: DLP 12. Silvana da Silva Andrade Pivotto, tia de Reyes, disse que a polícia identificou o proprietário da Montana. "É de um homem que mora em Osasco e teria 58 anos", contou Silvana. A polícia, porém, não confirmou a informação. "Meu sobrinho perdeu a vida por uma coisa muito fútil", desabafou.Mais de cem pessoas acompanharam o enterro. Sobre o caixão, foi colocado um terço e uma camiseta com a frase "Equipe Trilok?s, Zona Show, Sampa". "É a camiseta da nossa turma", disse um jovem que não quis se identificar. Anderson Yuzo Mino, de 18 anos, amigo de infância de Reyes e que estava no Corsa, ajudou a carregar o caixão. "Ele morreu em meus braços", recordou.NO RIO Permanece grave o estado de saúde do funcionário público André Luiz Reuter Lima, de 45 anos, agredido com uma barra de ferro na cabeça por um motorista, na Tijuca, zona norte do Rio, por volta das 20 horas da sexta-feira. Segundo a assessoria do Hospital Pasteur, ele continua em coma induzido, respirando com auxílio de aparelhos.André estava a pé, com dois filhos e um amigo deles, quando um motorista avançou o sinal fechado. Ele gritou palavrões para o homem, identificado como Itamar Paiva, que tentou atropelar André e depois o agrediu. Até a tarde de ontem, ele ainda não havia sido preso. "Nossa esperança é de que saia o mandado de prisão amanhã (hoje). Isso não pode ficar impune", disse o irmão de André, Leandro Reuter Lima. COLABOROU CLARISSA THOMÉ

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