Assassino de seis jovens em Luziânia é achado morto em cela

Adimar Jesus da Silva, réu confesso das mortes, foi encontrado com lençol no pescoço nesta tarde

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2010 | 15h07

O pedreiro Adimar Jesus da Silva, de 40 anos, foi encontrado morto neste domingo, 18, numa cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) em Goiânia. Ele é réu confesso do assassinato de seis jovens em Luziânia em janeiro deste ano. Segundo informações da delegacia, Admar foi achado às 13h com um lençol amarrado ao pescoço, o que indicaria suicídio. Uma perícia técnica começou a ser feita às 14h30 no local.

 

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Adimar foi condenado em 2005 a 10 anos de prisão por atentado violento ao pudor, mas recebeu, em dezembro, o benefício da prisão domiciliar, após cumprir dois sextos da pena. O alvará contrariou parecer de três psicólogas que o consideravam "psicopata perigoso" com "sinais de sadismo" e de "perversão sexual" e o tornavam inapto ao convívio social.

 

Solto, ele matou a pauladas e golpes de enxadão e martelo seis jovens com idades de 13 a 19 anos, desaparecidos na cidade goiana entre 30 de dezembro e 23 de janeiro.

 

Libertação

 

Responsável pela soltura de Adimar, o juiz Luís Carlos de Miranda, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, rebateu as críticas de autoridades à sua decisão de libertá-lo. Entre os críticos do magistrado estão o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e senadores da CPI da Pedofilia.

 

A resposta do juiz foi dada em entrevista coletiva na última semana convocada por ele para explicar sua atuação no caso. "Qualquer senador, qualquer ministro vir a público falar o que não conhece, o que não sabe, para simplesmente falar que houve um erro, criticar sem conhecer a realidade do que está acontecendo, isso não é aceitável. O Judiciário não pode ficar sendo alvo desse tipo de atuação injusta, impensada."

 

Segundo o juiz, não havia nenhum laudo psicológico que impedisse a Justiça de conceder o benefício. O alerta do Ministério Público para mantê-lo preso foi dado, alegou o juiz, apenas em janeiro, após a soltura do pedreiro. "Todo juiz, ao soltar, tem risco de o apenado cometer um crime na frente", afirmou Luís Carlos de Miranda. "O juiz não pode, por sua cabeça, dizer que alguém pode reincidir", ressaltou.

 

Documentação

 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás, o acusado tinha três documentos de identidade, com mudanças de grafia. Com isso, um outro mandado de prisão expedido na Bahia contra ele acabou sendo ignorado. Os RGs mostravam os nomes Adimar, Ademar e Admar.

 

No Estado do Nordeste, Adimar era acusado de tentativa de homicídio.

 

Texto atualizado às 15h23 para acréscimo de informações

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