Assassino do shopping diz que não se lembra de ter atirado

Para o promotor Norton Geraldo Rodrigues da Silva, o interrogatório de Mateus da Costa Meira, ?o assassino do shopping?, hoje, faz parte de uma linha de defesa. ?O que ele disse estava pré-combinado. Ele diz não se lembrar apenas do momento do crime, que é o que lhe interessa?, disse o promotor, que também fez perguntas ao acusado. Norton quis saber sobre episódios do tempo de faculdade e sobre o uso de cocaína, que segundo Mateus, teve início cerca de três meses antes do crime.O que o acusado diz não se lembrar é do que fez durante a sessão do filme Clube da Luta, quando, sob o efeito de cocaína, ele invadiu a sala 5 do cinema - que foi fechada - e atirou com uma submetralhadora 9mm na direção da platéia. Além dos três homicídios e das quatro tentativas de assassinato, ele também será julgado por ter colocado em risco a vida de outras 15 pessoas (número de tiros que restaram). Na platéia, formada na maioria por advogados, estudantes de direito e promotores, estava presente o promotor Roberto Tardelli - responsável pelo caso de Suzane Richtoffen - e alguns familiares das vítimas.?Durante todos esses anos eu guardei ressentimento e revolta. Nunca imaginei perder minha mãe nessa circunstância?, disseKarina Jatobá, de 26 anos, filha da publicitária Hermê Luiza Jatobá Vadasz, uma das vítimas mortas por Mateus. ?Ele tinha plena consciência do que estava fazendo. Foi tudo planejado.? Maria Regina Luz de Freitas Cerantula, de 50 anos, tia da fotógrafa Fabiana Lobão de Freitas, de 25 anos, outra vítima de Mateus, estava na platéia preocupada com o resultado do júri. ?Eu quero que ele pegue a pena máxima, pelo sofrimento que causou às famílias. Tenho medo da justiça por dois motivos: ele é réu primário e tem bom comportamento.Isso pode reduzir a pena dele.?A defesa, a cargo dos advogados Sérgio Reis e Tácio Lacerda Gama, está consciente da condenação. A luta dos defensores é tentar uma pena não tão grande, mas que certamente vai ultrapassar os 30 anos de prisão, tempo máximo permitido por lei para que uma pessoa permaneça na cadeia.

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