Assassinos de estudantes serão acusados de seis crimes

Os acusados de matar o casal de estudantes Felipe Silva Caffé, de 19 anos, e Liana Friedenbach, de 16, serão indiciados em inquérito policial e acusados de seis crimes: duplo homicídio qualificado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha, corrupção de menores, cárcere privado e estupro. Três dos cinco presos tiveram participação ativa nos delitos, enquanto os outros dois permitiram que os crimes ocorressem e com suas omissões demonstraram que pouco se importavam com o destino das vítimas. Liana e Caffé foram mortos em Embu-Guaçu.Os envolvidos no crime são R.A.A.C., de 16 anos, Paulo Cesar da Silva Marques, o Pernambuco, de 32, Antonio Caetano Silva, 50, Aguinaldo Pires, 41, e Antonio Matias Barros, 48. Depois de mais interrogatórios e da acareação dos acusados, policiais da Delegacia Seccional de Taboão da Serra não têm mais dúvidas: o líder do bando, mentor do crime e o maior responsável por toda a violência cometida contra as vítima foi o adolescente R.A.A.C. "Quando confrontados com o menor, os demais acusados demonstraram temer o adolescente", afirmou o delegado Silvio Balangio Junior, titular da delegacia seccional. Ele confessou hoje ter assassinado em 2001 um homem em Juquitiba, morto a tiros e facadas. A polícia não revelou detalhes desse crime porque há outros envolvidos que não foram presos. Contra os acusados, além das confissões, a polícia achou as armas usadas para matar o casal (uma espingarda calibre 28 e uma faca com lâmina de 40 centímetros), o cartucho disparado para matar Felipe e a calça suja de sangue que o adolescente vestia quando matou Liana. Faltam alguns laudos periciais, entre eles o do estupro de Liana. Só após a acareação foi possível à polícia determinar a participação de cada um no crime. Segundo o delegado Balangio Junior, o menor foi "o idealizador do seqüestro das vítimas, praticou abusos reiterados contra Liana oferecendo-a aos companheiros, participou da execução de Felipe e foi o único autor da morte da jovem". Impunidade - "Apesar de não ser verdade, é como se ele sentisse que, por ser adolescente, nada lhe pode acontecer", afirmou o delegado. Frio, brutal e temido até pelos comparsas, R.A.A.C. chegou a brincar com os policiais ao falar sobre o crime. "Ele contou tudo com desdém", disse o delegado Etori André Bonifácio, de Taboão da Serra, que chorou ao descrever o delito. O adolescente revelou que se aproximou da barraca do casal com a faca na mão. Felipe e Liana estavam dentro dela quando o bandido golpeou o barraca. Desde o primeiro momento, queria aterrorizar. Ele e seu comparsa Paulo Cesar da Silva Marques, o Pernambuco, de 32 anos, beberam vinho, comeram a comida dos jovens e os obrigaram a segui-los até a casa ocupada pelo caseiro Antonio Caitano Silva, de 50. Era sábado, dia 1.º de novembro. No dia seguinte, obrigaram as vítimas a segui-los na mata. Já haviam decidido matar Felipe e ficar com a menina para exigir resgate. Pernambuco atirou. Depois de matar o estudante, ele deixou Liana com o menor, que ele conhecera havia 15 dias, e voltou para casa. Na segunda-feira, o caseiro Silva chegou acompanhado do amigo Aguinaldo Pires, de 41 anos. Este e Pernambuco também violentaram a estudante. "Silva permitiu que sua casa fosse usada como cárcere privado, presenciou as sevícias contra Liana e nada fez para impedir", afirmou Balangio Junior. O último acusado, o caseiro Antonio Matias Barros, de 48 anos, guardou a arma usada para matar Felipe. "Tomou conhecimento da situação da vítima e nada fez para impedir o crime", disse Balangio Junior. O adolescente levou duas vezes Liana para a casa de Barros, onde ela também esteve cativa. Quatro tiveram a prisão decretada - R.A.A.C. foi apreendido. Ao retirá-los da prisão para novos interrogatórios, a polícia tomou o cuidado de vesti-los com coletes à prova de bala. Temia-se que alguém os matasse. A delegacia foi cercada pela população, mas ninguém se aproximou dos presos.

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