Assassinos de franceses pretendiam incendiar sede da ONG

Os assassinos dos franceses que integravam a ONG Terr´Ativa pretendiam incendiar o apartamento onde funcionava a instituição. Desta forma, eles se livrariam das provas sobre o desfalque de R$ 80 mil e dos corpos das vítimas. Eles chegaram a esvaziar uma garrafa de álcool no apartamento. "O plano não foi à frente por uma falha técnica: nenhum deles levou fósforo ou isqueiro", informou o delegado Marcus Castro, que recolheu a garrafa vazia no apartamento como prova. Os depoimentos de Társio Ramires, de 25 anos, coordenador de projeto e um dos assistidos pela ONG, José Michel Gonçalves Cardoso, de 27, e Luiz Gonzaga de Oliveira, de 25, atravessaram a madrugada desta quarta-feira, 28. Ramires escolheu cometer o crime na terça-feira, dia em que seria confrontado pela secretária-executiva Délphine Duyére e pelo contador da Terr´Ativa sobre o desvio de verba, numa reunião marcada para a tarde. Ele seria desligado da organização. Os depoimentos revelaram que Oliveira foi o mais violento. Ramires e os comparsas chegaram cedo ao escritório. Permaneceram com as luzes apagadas e vestiram as máscaras de carnaval compradas dias antes. O primeiro a chegar foi Jérôme Faure. Ele foi levado para um dos cômodos. "Oliveira terminou de amarrar as pernas do Jérôme e imediatamente começou a desferir os golpes. Ele usou a faca como um machado na cabeça da vítima", contou o delegado. Faure ficou com talhos no couro cabeludo, no braço direito, e um profundo corte no pescoço. A agressão provocou uma discussão entre os criminosos. "José Michel dizia que não estava ali para matar ninguém", disse Castro. No meio desse bate-boca, Délphine chegou. Foi arrastada por Oliveira para um sofá na ante-sala do escritório e esfaqueada. Christian Doupes viu a mulher sendo atacada e atracou-se com Oliveira. Ramires entrou na briga. Os três lutaram até a morte de Doupes. Ramires havia prometido entregar todo o dinheiro do cofre para os comparsas e tentou fugir com o objeto na mochila. Eles acreditavam que recolheriam cerca de R$ 2 mil. Quando a polícia abriu o cofre, encontrou apenas R$ 300. Marcus Castro iniciou a investigação do desvio de dinheiro. Nesta quarta, ele recebeu extratos bancários e dados financeiros do contador da ONG, que está colaborando com as investigações. Segundo Castro, Ramires confessou ter roubado R$ 80 mil ao longo de quatro anos. O desfalque foi descoberto quando Délphine procurou o contador e foi informada que Ramires o havia demitido seis meses antes. "Mas Délphine continuava assinando os cheques para o pagamento do funcionário", contou o delegado. O assassino Morador do Morro do Fubá, em Cascadura, Ramires conheceu Délphine e Faure, então casados, em 1998, quando participava de um programa de aprendizes na Light, concessionária de energia do Rio. Naquele ano, ele integrou um grupo de 300 jovens de programas sociais que foram a Paris, acompanhar a Copa do Mundo. O casal ensinava francês nas comunidades e acompanharam os adolescentes na França. Eles se interessaram pelo projeto de Ramires, com dança folclórica. No ano seguinte, Délphine fundou a Terr´Ativa. O programa Brilho da Lua passou a ser gerenciado pela ONG. Além do salário, ele passou a ser apadrinhado por estrangeiros, que bancavam seu curso universitário. O rapaz, que confessou o desvio de R$ 80 mil, mora de aluguel numa casa de vila no subúrbio carioca, em Quintino, na zona norte. Pagava R$ 350. Não tinha carro nem costumava ostentar. Ele vivia com um companheiro, um rapaz com idade entre 18 e 20 anos, que não voltou para casa após a prisão de Ramires. Os vizinhos reclamaram das festas e do entra e sai de rapazes. O proprietário da casa disse não ter tido problemas. "Ele chegou aqui com carta de recomendação da ONG. Disse que moraria com um rapaz, que estava ajudando a recuperar. Somente uma vez tive problema com eles, que deixaram o som muito alto numa festa", contou o senhorio, Elísio Alberto Martins, de 68 anos. Matéria ampliada às 19h48

Agencia Estado,

28 Fevereiro 2007 | 12h43

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