Assassinos de Liana Friedenbach vão a júri nesta terça

Começa nesta terça-feira, em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, o julgamento de três dos cinco envolvidos na morte dos namorados Liana Friedenbach e Felipe Silva Caffé, seqüestrados e executados quando acampavam em um sítio abandonado em Juquitiba, em outubro de 2003. Agnaldo Pires, Antonio Matias de Barros e Antonio Caetano da Silva foram indiciados por seis crimes: duplo homicídio qualificado, cárcere privado, estupro, ocultação de cadáveres, formação de quadrilha e corrupção de menor. O julgamento do quarto acusado preso, Paulo César Silva Marques, o Pernambuco, não tem data para acontecer porque os advogados dele recorreram da sentença.R.A.A.C., o Champinha, hoje com 19 anos, acusado de ser o mentor do crime, deve deixar a Febem entre os dias 10 e 17 de novembro e seguir em liberdade. No dia 17, Champinha completa 3 anos de internação - período máximo, por lei, para regime fechado na instituição.Na época do crime, ele tinha 16 anos e foi acusado de ser o líder do bando, mentor do crime e o maior responsável pela violência cometida contra as vítimas. A única chance de R.A.A.C. continuar em privação de liberdade é uma ação de interdição com internação em hospital psiquiátrico. O que dificilmente vai ocorrer, por falta de novos elementos que comprovem sua periculosidade.Na Febem, psiquiatras diagnosticaram que o jovem sofria de retardo mental moderado, de forma que a decisão de desinterná-lo ou não caberia a um juiz. Apesar da análise, Champinha não será encaminhado para a Unidade Experimental de Saúde da Febem, em construção na Vila Maria, segundo a Assessoria de Imprensa da entidade. BrutalidadeO caso, que chocou o País pela brutalidade dos assassinos, corre sob segredo de Justiça. Liana, de 16 anos, e Felipe, de 19, se conheceram no tradicional Colégio São Luís de São Paulo, onde estudavam. Com poucos meses de namoro, em 31 de outubro de 2003, uma sexta-feira, decidiram acampar. Aos pais, Liana disse que viajaria com as amigas. No dia seguinte, os dois foram abordados pelos assassinos, armados com uma faca de cozinha. Felipe foi assassinado com um tiro na nuca dois dias depois do seqüestro; Liana ficou em poder dos criminosos - sofreu abusos e maus-tratos até ser executada com 15 facadas, em 5 de novembro. Desesperado, o advogado Ari Friedenbach, pai de Liana, chegou a atirar panfletos de um helicóptero sobre Embu-Guaçu, à caça de pistas que levassem ao paradeiro da jovem e de seu namorado. Os corpos foram encontrados cinco dias depois. Em 2004, um laudo do Instituto de Medicina Social e Criminológica de São Paulo (Imesp) encaminhado à Justiça, recomendou que Champinha continuasse internado na instituição, recebendo tratamento psiquiátrico. "Ele pode voltar a matar, não tem noção de valores ou regras sociais, representa perigo e deve ser mantido na Febem", disseram os médicos. A constatação: "Há possibilidade de reincidência em situações semelhantes".

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