Assédio a Aécio continua

Cumprido o ritual do lançamento da candidatura, e finda a novela que a deu por incerta durante longo período, a campanha de José Serra mantém ainda em suspense a escolha do vice. Daqui em diante, ainda que obedecida a orientação do candidato ao partido para não expor o ex-governador Aécio Neves, o assunto ocupa mentes e corações tucanos.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

O PSDB ainda não desistiu de Aécio para companheiro de chapa de Serra. Na véspera do lançamento oficial, os aliados mais expressivos do ex-governador paulista garantiam que ele ainda poderá ser o vice.

Alguns esperam que o crescimento da candidatura Serra reduza a resistência de Aécio, caso do deputado baiano João Almeida, um dos cinco porta-vozes da campanha tucana.

Mesmo raciocínio do secretário de Educação, Paulo Renato, que espera pelo crescimento do candidato de Aécio em Minas, Antonio Anastasia, na expectativa de que isso diminua a tensão do ex-governador com a campanha em seu Estado e o deixe mais seguro para renunciar ao Senado.

Apesar da torcida, é notório que a esperança em Aécio não se manifesta mais de forma obsessiva ou dramática. O clima de euforia com o lançamento da candidatura do ex-governador de São Paulo, somado aos tropeços da candidata Dilma Rousseff na última semana, distensionaram o ambiente interno de tal forma que já há quem aposte numa improvável vitória no primeiro turno.

Órfã de Lula

O sorriso escancarado na foto diante do túmulo de Tancredo Neves e a indiferença do boicote do PT à eleição do ex-presidente, formam o conjunto da obra que condenou a primeira semana da candidata Dilma Rousseff sem a companhia diuturna do presidente Lula. Do PT e PMDB, à aliança tucana por Serra, a avaliação é que a cena foi um desastre e as tentativas de corrigi-la só o agravaram. A Oposição reagiu em dois tempos: primeiro, o repúdio; depois a gozação: "Ela não pode sair sozinha", brincou o senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE).

Jarbas resiste

Jarbas, por sinal, resiste à ideia de concorrer ao governo para montar o palanque do candidato tucano no Estado. "Posso ajudar sem concorrer", diz. Vai precisar convencer Serra.

Menor esforço

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE) pode trocar o Senado pela Câmara. Com eleição mais fácil concilia sua campanha com a de José Serra, da qual é coordenador.

Jogo de Cena

Sem chance no Senado, este ano projeto da ficha limpa passou de incômodo a oportuno para a Câmara que pode votá-lo para ficar bem no filme eleitoral.

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